Agora a exigência vai ser 3% do PIB para a Defesa!

porJoão Vasconcelos

31 de dezembro 2024 - 16:02
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Impõe-se com urgência, não o aumento das despesas e do escalar da guerra, mas a paz, sentando os beligerantes à mesa das negociações. E condenar os responsáveis pelos crimes de guerra. Seja na Ucrânia ou no Médio Oriente.

Donald Trump, o Presidente eleito dos Estados Unidos já anunciou a intenção de rever a fasquia para 3% do PIB de investimento na defesa na próxima cimeira da NATO, a realizar em Haia, em julho de 2025. Mark Rutte, o novo secretário-geral da organização militarista e considerada o braço armado do imperialismo norte-americano, acusou o toque do dono ao referir, recentemente, que “a minha convicção, e sei que também de muitos aliados, é de que a meta dos 2% do PIB de investimento na defesa simplesmente não é suficiente a longo prazo para manter o nível atual do nosso aparato de dissuasão. Por isso espero que os líderes concordem em gastar muito mais do que esse valor” (Público, 04-12-24).

Tudo isto a propósito, fundamentalmente, da criminosa guerra de agressão que a Rússia de Putin continua a empreender na Ucrânia. Esta guerra tem sido o “pretexto maravilhoso” para a NATO e a Europa se rearmarem cada vez mais apostando numa economia de guerra que, a continuar neste ritmo infernal, nos conduzirá a todos para o abismo apocalítico.

Antes, numa outra cimeira da NATO, em 2018, Trump exigiu a meta de 2% do PIB para a defesa para todos os países da organização até 2030. Dos 32 membros atuais da NATO, 23 irão atingir a meta de 2% este ano, contra seis em 2018. Todavia, há sete membros europeus, incluindo Itália, Espanha e Portugal, que ainda não atingiram a meta acordada em 2018.

Como resposta à guerra da Rússia contra a Ucrânia os membros europeus da Aliança aumentaram as despesas militares em 100 mil milhões de dólares nos últimos dois anos. Há três países da organização que já ultrapassaram a fasquia dois 3% - Polónia, E. U. A. e Grécia. Em quase todos os países bálticos e do leste europeu as despesas no setor da defesa situam-se próximo dos 3%.

Em Portugal, com 1,5%, a pressão também é grande para acelerar o aumento dos gastos no setor. Segundo algumas vozes da área do PSD e até do PS, considerando a situação geopolítica e as guerras em curso, Portugal pode enveredar por meter 3 mil milhões de euros de reforço na Defesa ainda antes de 2030, o que vai implicar cortar noutras áreas, como a Saúde e a Educação, o que será inaceitável e catastrófico para o nosso país.

Os tambores que anunciam mais guerra na Europa e no mundo soam cada vez mais alto e mais perto. A exigência dos 3% por parte dos falcões da NATO não augura nada de bom. É o que andam a discutir nas costas dos povos e que não hesitarão em enviar milhões de jovens para guerras destrutivas e devastadoras, por si provocadas e alimentadas, utilizando estes jovens como “carne para canhão”. Ao escalar a guerra na Ucrânia com armamentos cada vez mais sofisticados e letais e que só servem para enriquecer cada vez mais os magnatas das fábricas de material bélico, na ânsia da apregoada derrota estratégica da Rússia, que nunca acontecerá face ao seu potencial nuclear, a NATO e os governos europeus e dos E. U. A. só estão a provocar, a par da Rússia, mais morte e destruição na própria Ucrânia.

Estes dirigentes políticos e militares, incluindo de Portugal, nada querem saber da defesa dos direitos humanos, dos direitos dos povos e do direito internacional. Se fosse essa a sua preocupação, então também condenavam com veemência e não alimentavam o genocídio de Gaza e os bombardeamentos indiscriminados por parte do Estado pária de Israel contra o povo da Palestina e sobre o Líbano e a Síria, invadindo e ocupando parte destes países.

Impõe-se com urgência, não o aumento das despesas e do escalar da guerra, mas a paz, sentando os beligerantes à mesa das negociações. E condenar os responsáveis pelos crimes de guerra. Seja na Ucrânia ou no Médio Oriente.

João Vasconcelos
Sobre o/a autor(a)

João Vasconcelos

Professor. Doutorado em História Contemporânea.
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