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Afastem de Braga esses Mellos!

Um ano e meio depois da chegada dos Mellos ao Hospital de Braga, o Estado parece estar a acordar para o desastre...

“Se isto é cumprir o contrato, o que é que é preciso acontecer mais?” A pergunta de uma funcionária ecoou na sala, onde dezenas de trabalhadores do Hospital de Braga se apinhavam, na esperança de fazerem chegar aos deputados do Bloco a sua indignação. Na esperança de que os deputados do Bloco não deixem cair a sua luta, cansados que estão de tanta manobra, de tanta intimidação, de tanta chantagem.

Razão – ou má consciência, por ter andado a defender esta negociata em que os privados ganham à custa da saúde dos doentes do Serviço Nacional de Saúde – tinha o ex-ministro da Saúde, Correia de Campos, quando desconfiou do facto do grupo Mello ter apresentado uma proposta 20 por cento mais baixa, para ganhar o concurso para a construção e gestão do Hospital de Braga.

Um ano e meio depois da chegada dos Mellos ao Hospital de Braga, o Estado parece estar a acordar para o desastre: A Administração Regional de Saúde do Norte acaba de multar, por duas vezes os gestores privados, primeiro por transferência abusiva de doentes para o Porto, que era suposto serem atendidos em Braga, depois por falta de informação.

Neste lapso de tempo as notícias dos jornais contaram as mais mirabolantes histórias: racionamento de refeições e de lençóis, de medicamentos com contra-indicação médica, fim da distribuição gratuita de medicamentos a doentes oncológicos, debandada de médicos e desmantelamento de serviços (gastroenterologia, cuidados intensivos, oftalmologia), intervenção da polícia para acalmar os ânimos de doentes fartos de esperar na urgência, não renovação de contratos a enfermeiras grávidas e/ou em licença de maternidade, para além dos procedimentos que deram origem às já referidas multas. Pelo meio um clima de intimidação despudorada para que os trabalhadores assinem um contrato individual de trabalho e desistam do seu vínculo à função pública.

Quanto ao gestor que, em nome do Estado, era suposto acompanhar o cumprimento do que está estipulado no contrato que o Grupo Mello assinou com Estado, apenas deu um ar da sua graça, numas breves linhas, dirigidas ao jornal Público, para ameaçar o deputado do BE, João Semedo por este ter questionado a sua provável saída do Hospital de Braga, precisamente para o grupo Mello, e por ter pedido contas ao governo pelo seu trabalho.

Razão tem Francisco Louçã quando esta semana afirmou que “em Braga se trava uma das maiores lutas em defesa do Serviço Nacional de Saúde”. E defendê-lo significa acabar com esta parceria que dá aos gestores privados o que rouba aos trabalhadores e aos utentes.

Por isso, ao lado deles, só descansaremos quando “afastarem de Braga esses Mellos!”.

Sobre o/a autor(a)

Dirigente do Bloco de Esquerda, técnica de segurança social.
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