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O contínuo ataque aos trabalhadores e seus representantes

As medidas contra os representantes dos trabalhadores estão na ordem do dia.

Com a aclamação do novo líder da CGTP no XII Congresso realizado dos dias 27 e 28 passados, com um discurso final do líder eleito que exaltou todos os congressistas para retomar a luta de classes, o espaço da luta será as empresas. Segundo as teses do Congresso no Capítulo 5 do Programa de Ação " É nos locais de trabalho que se reforça a base organizada dos sindicatos e se desenvolve a consciência de classe dos trabalhadores". Um grande desafio para a Direção da CGTP recentemente eleita, um desafio à capacidade de mobilização para fortalecer a organização sindical a todos os níveis (sem sectarismos).

Os tempos são muito difíceis. A luta contra as medidas recentes do governo ultraliberal de Passos Coelho contra os direitos dos trabalhadores e o ataque ao estado social vão continuar, muito para além do acordado com a troika. Passos Coelho em campanha eleitoral prometeu, e vai cumprir, a criação do contrato único. Esta decisão foi recentemente tornada pública em vários jornais diários. O Congresso da CGTP não tratou com profundidade este grave ataque aos trabalhadores, que passa pela individualização das relações de trabalho e um forte ataque à contratação coletiva. Mas as medidas contra os representantes dos trabalhadores estão na ordem do dia.

O jornal “I” do dia 24 de Janeiro de 2012 anunciava parte do dossier Top Secret que o governo está a desenvolver a porta fechada sobre reformas que visam atacar e destruir a estrutura sindical dos trabalhadores nas empresas. O mesmo jornal divulga na sua edição de 28 de Janeiro de 2012 que "Delegados sindicais vão poder ser despedidos, como membros das comissões de trabalhadores, desde que a entidade empregadora (patrão) considere que houve diminuição significativa da sua produtividade. Para encerrar este violento ataque ao movimento sindical e aos trabalhadores, só falta o governo rever a lei sindical, que deve estar para breve.

O tempo é de cerrar fileiras, agir em unidade, palavra que para alguns dirigentes ainda no ativo pouco diz (fui afastado de delegado ao Congresso por comportamentos sectários que pisaram o Regulamento do Congresso que previa "Na eleição dos delegados ao Congresso deverá ter-se a preocupação de assegurar a representação: das diversas correntes de opinião existentes". Os trabalhadores e as suas lutas sobrepõem-se a este tipo de comportamentos que a história não registará. Como ativista sindical, antes do 25 de Abril, com menos um ano de idade do atual líder eleito da CGTP, apelo ao reforço da luta na ação e em unidade e que a Jornada de Luta do dia 11 de Fevereiro de 2012, seja mais um passo determinante contra as políticas de um governo que leva os trabalhadores e o país para o abismo.

Sobre o/a autor(a)

Dirigente do Sindicato dos Trabalhadores do Comércio, Escritórios e Serviços de Portugal - CESP/CGTP
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