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18 de junho, juntos pela defesa da Escola Pública

Não somos só amarelos. Representamos todas as cores. Não nos cingimos só a uma cor primária. Existem mais duas cores primárias. E, para além disso, ainda nos misturamos e fazemos a diversidade.

No dia 18 de junho juntamo-nos pela defesa da Escola Pública, numa manifestação que reitera a defesa do serviço público.

Com a força motriz de acabar com a posição de que as escolas privadas fornecem um ensino melhor, baseado meramente num conceito de estatuto social e elitismo, pretendemos tratar a equidade por tu - em que todos temos os mesmos direitos e oportunidades.

Se queremos falar em liberdade de escolha, e se esse é o argumento utilizado em prol da defesa da escola privada, então falemos em liberdade de escolha. Na realidade, não está patente que se vá reduzir turmas, ou que se vá retirar os alunos. Fala-se em deixar que o Estado suporte uma verba à escola privada quando tem uma rede de escolas públicas que comportam estes estudantes.

Quando os contratos de associação surgiram, na realidade carecia-se, em certas zonas do país, de uma fraca rede de escolas públicas. Mas todos estes contratos eram temporários e passíveis de serem revertidos, tal como o desejado e patente na Constituição da República Portuguesa, em construção de um direito de existência de escolas públicas.

Argumentos com base nos "rankings" demonstram o quanto falsos moralistas somos. Ninguém é melhor ou pior aluno porque vem ou porque vai para uma escola pública ou privada. Somos aquilo que somos, e não é a posição no "ranking", baseada em exames nacionais ou testes intermédios, que nos definem enquanto escolas e que demonstram aquilo que somos. Na realidade, a aptidão não passa por um lugar no "ranking".

Não somos só amarelos. Representamos todas as cores. Não nos cingimos só a uma cor primária. Existem mais duas cores primárias. E, para além disso, ainda nos misturamos e fazemos a diversidade. Sim, porque é isso que se trata e que engloba a Escola Pública. A diversidade, o todo.

Muitas destas escolas públicas, ao longo destes anos, foram deixando de ser minimamente subsidiadas, até para meios necessários básicos, em detrimento de verbas do Estado, que financiavam e beneficiavam escola privadas, com estes contratos de associação.

Dia 18 de Junho, vamos para a rua. Vamos todos e todas, por aquilo que consideramos ser justo na sociedade. Na defesa da Escola Pública, centramo-nos mais uma vez na igualdade, há muita perdida e há muito deixada.

Vamos deixar de financiar o privado, quando o público comporta. Iniciamo-nos agora pela educação e lutamos para nos expandir para outros setores da sociedade, como a saúde. Nós temos o direito e devemos ter arbítrio de saber onde o dinheiro de todos os contribuintes é gasto.

Pela defesa do que é público.

Artigo publicado em p3.publico.pt a 15 de junho de 2016

Sobre o/a autor(a)

Estudante de Enfermagem na Escola Superior de Saúde do Politécnico de Setúbal
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