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“Como articular forças para travar o ataque sobre os trabalhadores europeus?”

A 17 e 18 de outubro decorreu o “Fórum Social” em Bruxelas, excecionalmente participado por sindicalistas de toda a Europa. O “Fórum Social” procurou construir e encontrar espaços de articulação e de cooperação, que permitam a resistência e a luta.

No debate de temas centrados na violência que se abate, embora diferenciadamente, sobre cada um dos países, o “Fórum Social” procurou construir e encontrar espaços de articulação e de cooperação, que permitam a resistência e a luta contra o capitalismo mais selvagem e contra a destruição do contrato social europeu.

David Hall, do Reino Unido, abordou o caminho de remunicipalização que começa a ser feito em alguns países na Europa, dando como exemplos o caso da água em alguns municípios franceses, da energia na Alemanha e dos transportes no Reino Unido, nomeadamente o Metro de Londres. Este caminho tem tido como base as fortes campanhas públicas cidadãs que demonstram que a gestão pública é mais eficaz, torna os serviços mais baratos para os utentes, havendo mesmo dados que permitem apurar uma poupança financeira. Percebemos que o Sul da Europa caminha exatamente em sentido oposto, o da privatização a todo o custo! Frank Boye, dinamarquês, falou da luta que tem sido travada, ao nível do tratamento de resíduos, e que na sede de privatizar este serviço, foi garantido aos trabalhadores que a privatização não alteraria os seus vínculos, o que, contudo não sucedeu, resistindo apenas Copenhaga onde conseguiram através do insourcing, assegurar a sua estabilidade. Este trabalhador a finalizar, sublinhou a importância de que no setor público exista uma responsabilidade social profunda que não se compagine com a necessidade de lucro do setor privado.

As intervenções seguintes abordaram a democratização da discussão à volta das diretivas comunitárias, como a do pacote de concessões, que se servirá das dívidas dos municípios para obter os seus interesses, desaparecendo a obrigação, a título de exemplo, de concursos públicos, de cooperação pública. A esquerda tem que se organizar para que os povos sintam que o seu dia-a-dia estará a ser agravado e alvo de lucros de duvidosa transparência. O Goldman Sachs deu a indicação de que é o tempo de se comprarem ações de água porque renderão no futuro de 15 a 20%. A água é um bem essencial à vida, não poderá ser negócio, é de todos e de todas!

O acordo de comércio livre entre os EUA e o Canada foi assinado na sexta-feira, mas já está em marcha um acordo idêntico através do Atlântico, com a Europa, cuja negociação deve ser tornada pública, pois é objetivo que se imponha às regras nacionais, apesar de limites hoje proibidos na Europa, se aplicarem livremente nos EUA, nomeadamente no que se referem a proteção ambiental, segurança no trabalho, segurança social…

A Esquerda tem pela frente muito trabalho, mas sobretudo o grande desafio de conseguir ganhar o combate pela democracia, pela participação cidadã, levando aos locais de trabalho estas ameaças, para que na rua, devidamente coordenados e em cooperação europeia, ocupemos todo o espaço gritando que não se pode confundir crescimento com desenvolvimento, exigindo o respeito pelos direitos civis e pessoais, pelo direito ao trabalho sustentável e com direitos.

Sobre o/a autor(a)

Candidata do Bloco de Esquerda à Câmara Municipal da Amadora e deputada municipal. Professora aposentada. Dirigente sindical.
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