A articulação de movimentos pela justiça climática, movimentos locais e algumas associações ambientalistas, com um poder local a responder à reivindicação e à movimentação social, reproduziu-se em todo o país. Esta foi uma fórmula vencedora.
O aumento da energia renovável é interessante e potencialmente pode ser acção climática, mas se - e só se - o aumento de produção de energia a partir de renováveis corresponder a uma retirada do sistema das fontes energéticas fósseis (petróleo, gás e carvão).
Foi mesmo necessário ir buscar um homem do petróleo só para demonstrar como os homens do petróleo são especialistas em deturpar quer as causas, quer a resolução da crise climática?
O regresso ao passado pode até ser um apelo que ecoa dentro da cabeça das pessoas, mas não passa de uma ratoeira, explorando o medo para institucionalizar monstruosidades. Um regresso ao passado não garantirá travar nenhum dos problemas existenciais em que vivemos.
Na Sibéria, a 22 de Maio, estiveram 25ºC. O recorde anterior era de 12ºC. No dia 9 de Junho, também no Círculo Polar Ártico, a temperatura atingiu os 30ºC na cidade de Nizhnyaya Pesha. É uma mudança radical daquele território.
A ideia de “regresso à normalidade” é a expressão máxima de alienação na sociedade. A “normalidade” é um comboio desembestado em direcção a um precipício.
A indústria petrolífera à escala global já está de mão estendida para receber apoios públicos e reclamar-se como paladino de uma futura recuperação económica. Mas os fósseis são uma âncora genocida que arrasta a Humanidade para o fundo.
É altura de, frente a todo o mundo, as e os ecossocialistas anunciarem uma nova visão do mundo, dos seus objectivos e das suas estratégias para oferecer um futuro à Humanidade, derrotando a miséria histórica, moral e biológica do capitalismo.
Governos e instituições continuam a tratar a crise climática como se ela não existisse, apesar de ser inequívoco o precipitar dos piores cenários das alterações climáticas antes mesmo dos tempos previstos.