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Guerra e terrorismo no século XXI, de Eric Hobsbawm

O texto que aqui divulgamos é uma tradução do texto publicado no site Sin permiso, composto por extractos dos capítulos 2 e 8 do livro de Eric Hobsbawm, o decano da historiografia marxista britânica, "Guerra e paz no século XX", que acaba de sair, em castelhano, na Editorial Crítica de Barcelona.

1. Guerra, paz e hegemonia no início do século XXI

À primeira vista, a paz mundial parece hoje mais possível que no século XX, um século marcado por um número recorde de guerras mundiais e por muitas formas de morte em larga escala. Ainda assim, um estudo recente feito na Grã-Bretanha, e que comparava as respostas que os britânicos deram em 2004 a perguntas já formuladas em 1954, aponta que o medo numa guerra mundial é hoje maior que no passado. Este medo corresponde, principalmente, a um facto cada vez mais evidente: vivemos numa época de conflitos armados mundiais endémicos, guerras que costumam decorrer dentro das fronteiras dos estados, mesmo que sejam ampliadas pela intervenção estrangeira. Ainda que o impacte destes conflitos na história do século XX tenha sido pequeno em termos militares, não podemos dizer o mesmo se pensarmos na população, a principal vítima destas confrontações, que pagou, e paga ainda hoje, um preço elevado. Desde a queda do muro de Berlim, encontramo-nos de novo submergidos numa era de genocídios e transferências de população massivas e forçadas,  tanto nalgumas regiões de África como no sudeste europeu ou na Ásia. Calcula-se que, em finais de 2003, o número de refugiados dentro e fora do seu próprio país alcançou os 38 milhões de pessoas, números comparáveis à extraordinária quantidade de "pessoas deslocadas" depois da Segunda Guerra Mundial. Um dado bastará para ilustrar estas afirmações: em 2000, o número de mortos em combate na Birmânia situava-se entre as duzentas e as quinhentas pessoas; o número de "deslocados internos", fundamentalmente causados pelo exército de Myanmar, rondava o milhão. E a guerra do Iraque apenas confirmou este aspecto. O que, segundo os padrões do século XX, poderíamos qualificar como pequenas guerras provoca catástrofes incomparáveis.

A guerra típica do século XX, a guerra entre estados, perdeu peso rapidamente. Na actualidade não há conflitos entre estados, ainda que não possamos desprezar a hipótese de que venham a haver em diferentes regiões da África e da Ásia, ou naquelas zonas em que a instabilidade ou a coesão dos estados existentes sejam ameaçadas. Por outro lado, ainda que não estejamos perante uma ameaça imediata, não desapareceu o risco de uma grande guerra global, fruto provavelmente da relutância dos Estados Unidos a aceitar o surgimento da China como sua rival. Por vezes, inclusivamente, as possibilidades de evitar o seu rebentamento parecem muito superiores às que havia em 1929 para evitar a segunda guerra mundial, embora seja bom não esquecer que a possibilidade desta guerra continuará presente nas próximas décadas.

No entanto, e ainda que sem as guerras tradicionais entre estados, grandes ou pequenas, poucos são os observadores realistas que auguram que este será um século em que o mundo viverá alheio à presença constante de armas e ao brotar da violência. Contudo, é nosso dever combater a retórica do medo irracional, do qual se servem governos como o do presidente Bush ou o do primeiro-ministro Blair para justificarem políticas que nos aproximam do império global. Salvo como metáfora, não existe uma "guerra contra o terror ou o terrorismo", mas sim contra um agente político que recorre a uma táctica, não a um programa. O terror como táctica é indiscriminado e moralmente inaceitável, seja o terror dos grupos clandestinos, ou o terror dos estados. A Cruz Vermelha Internacional reconhece o aumento da barbárie na sua condenação aos dois lados em conflito no Iraque. Também cresceu o medo a que pequenos grupos terroristas optem pela guerra biológica, ao mesmo tempo que não parecem preocupar-nos tanto os riscos, maiores e imprevisíveis, que indubitavelmente se colocarão se a manipulação dos processos vitais, incluída a vida humana, nos fugir das mãos. Ainda assim, é residual o perigo real para a estabilidade mundial ou para qualquer estado consolidado, proveniente das actividades das redes terroristas pan-islâmicas às quais os Estados Unidos declararam guerra global, assim como a soma de todos os grupos terroristas que operam em qualquer ponto do planeta. Apesar de terem conseguido assassinar muito mais pessoas que os seus antecessores - e menos que os estados, o risco é mínimo de um ponto de vista estatístico e a sua importância é escassa em termos de agressão militar. A menos que estes grupos pudessem ter armas nucleares, uma possibilidade que, por não ser imediata, podemos desprezar, o terrorismo não provocará a histeria, mas sim a reflexão.

Contudo, o caos mundial é uma realidade, como também o é a perspectiva de outro século de conflitos armados e de calamidades humanas. É possível voltar a uma espécie de controlo global, como sucedeu, com excepção de um período de trinta anos, durante os 175 anos que decorreram desde a batalha de Waterloo até à queda da URSS? A questão é hoje muito complicada, por dois motivos. Em primeiro lugar, as desigualdades a que deu lugar a globalização descontrolada do livre mercado, e que aumentou a um ritmo exponencial, são o caldo de cultura natural de todo o tipo de instabilidades e agravos. Como se viu recentemente, "nem sequer os corpos militares mais avançados poderiam enfrentar uma crise total do sistema jurídico" e a crise dos estados a que aludi anteriormente tornou esta possibilidade mais factível que no passado. Em segundo lugar, já não existe um sistema de superpotências internacionais plurais como o que esteve vigente e que evitou que, salvo no catastrófico período compreendido entre 1914 e 1945, rebentasse uma guerra total. Este sistema assentava num postulado que reportava aos tratados que tinham conseguido acabar com a guerra dos Trinta Anos no século XVII: existiam no mundo alguns estados cujas relações se regiam por diversas regras e entre elas a de não interferir nos assuntos internos do outro e por uma distinção diáfana entre guerra e paz. No entanto, nada disto é válido na actualidade. Outro dos pilares era a realidade de um mundo em que conviviam diferentes potências, algo que já existia na reduzida "primeira divisão" de estados, apenas um punhado de "grandes potências" que, a partir de 1945, se reduziria ainda mais, até ficarem só duas superpotências. Nenhuma delas foi capaz de se impor de forma inquestionável.

2. As transformações do terror

A natureza do terror político mudou nos finais do século XX? Permitam-me começar com o inesperado surto de violência surgido numa ilha até então pacífica, Sri Lanka, na qual uma maioria de cingaleses budistas (cuja religião e ideologia é totalmente contrária à violência) convive com uma minoria de tamiles, emigrados do sul da Índia há séculos ou vindos como mão-de-obra para as plantações nos finais do século XIX. O seu hinduísmo tão pouco é partidário da violência. O movimento anti-imperialista no Sri Lanka não se caracterizou por um elevado militantismo, nem por uma eficácia extraordinária, e o país obteve a sua liberdade silenciosamente, na realidade como subproduto da independência da Índia. De facto, no Sri Lanka colonial tinha-se desenvolvido um partido comunista mas bem pequeno e, curiosamente, um partido trotskista de dimensões muito superiores, ambos encabeçados por membros cultos e agradáveis da elite ocidentalizada e as duas formações, como bons partidos marxistas, opuseram-se ao terrorismo. Não houve qualquer tentativa de insurreição. Após a independência, o país seguiu um calmo caminho de socialismo moderado, o que resultou excelente para o bem-estar e a esperança de vida da população. Resumindo, medido com critérios asiáticos, o Sri Lanka anterior à década de 1970 era uma rara ilha de civismo, como a Costa Rica e (antes de essa mesma década) o Uruguai na América Latina. Hoje confronta-se com um banho de sangue.

Os tamiles, uma minoria de 25% cuja representação nas profissões cultas é superior ao seu peso demográfico, desenvolveram um compreensível ressentimento face ao regime cingalês, que na década de 1950 decidiu substituir o inglês pelo cingalês, como língua administrativa nacional. Na década de 1970, um movimento separatista tamil, não sem o apoio de um estado indiano meridional, criou várias organizações armadas, precursoras dos actuais Tigres Tamil de Libertação da Pátria Tamil, que tem vindo a desenvolver, o que é de facto, uma guerra civil desde meados da década de 1980. Dos seus membros conhece-se, sobretudo, que estão entre os grandes instauradores e provavelmente entre os maiores activistas do terrorismo suicida, ainda que, diga-se de passagem, dada a sua ideologia laica, careçam das habituais motivações religiosas. Os tamiles não são suficientemente fortes para conseguirem a secessão e o exército do Sri Lanka é demasiado débil para derrotá-los no plano militar. A intransigência de ambas as partes manteve a guerra, apesar das diferentes mediações de terceiros (Índia, Noruega) para conseguir um acordo.

Entretanto, ocorreram duas coisas na maioria da sociedade cingalesa. As tensões etnico-linguísticas geraram uma forte reacção, que adoptou a forma de uma ideologia nacionalista baseada no budismo e na superioridade racial, dado que a língua cingalesa é indo-europeia (isto é, "aria"). É bastante curioso que este racismo se encontra presente na tradição da Índia hindu, e de facto, tanto no Sri Lanka como no Paquistão, ainda podem encontrar-se rastos do antigo sistema de castas hindu por baixo da superfície, oficialmente igualitária. Ao mesmo tempo, o JVP (1), uma organização esquerdista, assente principalmente na actividade de jovens cingaleses cultos que não conseguiam encontrar um trabalho adequado, assim como nas ideias castristas com um toque de maoísmo e uma grande dose de ressentimento face à velha elite sociopolítica, organizou uma importante insurreição em princípios da década de 1970.

Foi sufocada com certa dureza e um grande número de jovens foi enviado durante um tempo para a prisão. Dos vestígios desta rebelião juvenil, ao estilo do Maio de 68, surgiu uma organização terrorista militante que, acantonada principalmente nos campos do Sri Lanka, converteu o seu maoismo original num veemente chauvinismo racista de raiz budista. Na década de 1980 organizou uma campanha de assassinatos sistemáticos contra os seus adversários políticos, o que fez da política uma actividade de alto risco. (A recentemente retirada presidente do Sri Lanka viu o seu pai, ex primeiro ministro, e o seu marido caírem assassinados perante os seus próprios olhos e perdeu um olho noutro atentado similar, com o objectivo de assassiná-la). O terror também foi sistematicamente utilizado para conseguir o controlo das cidades e dos povos do campo. Como no caso do movimento maoista Sendero Luminoso no Peru da década de 1980, é impossível saber até que ponto a dominação do JVP encontrou o seu apoio inicial no apoio das massas, em que grau esse apoio foi alienado pelo terror, em que medida foi por sua vez contrabalançado pelo ressentimento produzido pela repressão do governo e até que ponto gera cepticismo acerca dos revolucionários. Duas coisas estão claras. Que o JVP contou com um apoio generalizado naqueles sectores da população trabalhadora do campo cingalês de que os membros cultos constituíam a sua cúpula dirigente e que o JVP realizou um grande número de massacres, a maioria deles perpetrados por um grupo de militantes que na América Latina teriam recebido o nome de sicários, assassinos a soldo. A tentativa de assalto ao poder do JVP foi reprimida do mesmo modo, isto é, mediante o equivalente das "guerras sujas" latino-americanas orientadas pela eliminação dos líderes e dos militantes rebeldes. Em meados da década de 1990 calculava-se que tinham morrido cerca de sessenta mil pessoas, vítimas destes conflitos. Desde as suas origens, em finais da década de 1960, o JVP interveio de maneira intermitente na política oficial do Sri Lanka.

Parece evidente que o Sri Lanka é, simplesmente, um exemplo do crescimento e da mutação surpreendentes que teve a violência política no mundo dos finais do século XX. A pergunta "porquê?" é excessivamente ampla para este ensaio, tanto mais que é difícil desligá-la do incremento geral do nível de violência ou acção directa que as comunidades ocidentais chegaram a aceitar socialmente, tanto no plano mediático, como no da realidade. Isto produziu-se após um largo período no qual se assistiu, na maioria dessas sociedades, ao crescimento da expectativa de que a civilização deveria trazer consigo a queda permanente da violência.

Seria tentador dizer que a violência social em geral e a violência política não têm nada a ver uma com a outra, dado que a violência política da pior classe pode produzir-se em países dotados de uma tradição política e social notavelmente não violenta, como o Sri Lanka ou o Uruguai. No entanto, não é possível mantê-las separadas nos países de tradição liberal, ainda que seja só porque esses países são precisamente aqueles em que a violência política não oficial adquiriu maior relevo no último terço do século XX e, onde, em consequência, o mesmo sucedeu com a violência estatal de sinal contrário, de intensidade habitualmente superior. Enquanto conservam a sua capacidade operativa, os países ditatoriais ou autoritários deixam pouca margem de manobra a esta violência política extra-oficial, do mesmo modo que apenas deixam algum espaço à política extra-oficial não violenta.

O aumento da violência em geral é parte do processo de regresso à barbárie que tem vindo a fortalecer-se no mundo desde a primeira guerra mundial e que examinei noutro lugar. O seu progresso é particularmente surpreendente nos países dotados de estados sólidos e estáveis, assim como de instituições políticas (em teoria) liberais, nos quais o discurso público e as instituições políticas não distinguem mais que entre dois absolutos que se excluem mutuamente: a "violência" e a "não-violência". Esta foi mais uma forma de fundamentar a legitimidade do monopólio nacional que o estado tem da força coerciva, o que veio intimamente unido ao desarmamento total da população civil registado nos estados desenvolvidos do século XX, excepto nos Estados Unidos, que por conseguinte toleraram sempre um maior grau de violência na prática, ainda que não na teoria. Desde finais da década de 1960, os estados perderam uma parte desse monopólio do poder e dos recursos, e uma porção ainda maior da percepção da legitimidade que induzia os cidadãos a acatarem a lei. Por si só, isto explica boa parte do aumento da violência.

A retórica liberal foi sempre incapaz de reconhecer que nenhuma sociedade funciona sem certa violência na política - ainda que só seja na forma quase simbólica dos piquetes grevistas ou das manifestações de massas, e que a violência tem graus e regras, como é de domínio público nas sociedades em que faz parte da teia das relações sociais e como constantemente trata de recordar a Cruz Vermelha Internacional aos embrutecidos beligerantes do século XXI. Não obstante, quando as sociedades ou os grupos sociais não acostumados a um alto grau de violência social se vêem numa situação de praticá-la, ou quando nas sociedades tradicionalmente violentas se decompõem as regras normais, os limites estabelecidos sobre o uso ou o grau da violência podem saltar. Por exemplo, tenho a impressão de que as tradicionais revoltas camponesas, tendo em conta a brutalidade geral da vida e da conduta rurais, não eram habitualmente demasiado sanguinárias - em geral menor que a sua repressão. Quando esses levantamentos caíam no massacre ou na atrocidade, a violência costumava ser dirigida contra pessoas ou categorias de pessoas concretas e contra propriedades - por exemplo as casas da pequena aristocracia, enquanto que, pelo contrário, outras pessoas ficavam especificamente à margem devido a que gozavam de boa reputação. Os actos violentos não eram arbitrários, mas sim pré-definidos, quase poderíamos dizer, pelo ritual da ocasião. Não foi a Revolução de 1917, mas sim a guerra civil russa que estendeu as carnificinas em grande escala nos campos da Rússia. Ora, quando desaparecem os freios da conduta consuetudinária, os resultados podem ser aterradores. Uma das razões para que os narcotraficantes tenham tido tanto êxito nos Estados Unidos reside, em meu entender, em que, na disputa com os seus rivais, deixaram de aceitar a acostumada convenção machista de que não se deve matar as mulheres e os filhos dos adversários.

(1) Janatha Vimukthi Peramuna Frente de Libertação do Povo

(...)

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