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Silêncio, de António Loja Neves e José Manuel Alves Pereira

Arlindo Espírito Santo, viu grande parte da sua família ser presa em Dezembro de 1946, na aldeia de Cambedo da Raia, no concelho de Chaves, encostada à Galiza. Ali decorreu um episódio sangrento e tardio, ainda em resultado do golpe franquista em 18 de Julho de 1936. Por Paula Godinho
A aldeia, cercada pela Guardia Civil, pelo Exército português, pela PIDE e pela GNR, foi atingida com vários tiros de morteiro no dia 21 de Dezembro.

Exibição: 25 de abril, 18h30, sala Zeca Afonso

Realização: António Loja Neves e José Manuel Alves Pereira (2014)

Duração: 70 minutos
Informação: O realizador António Loja Neves estará presente na sessão.

“No comovente filme de António Loja Neves e José Manuel Alves Pereira «O Silêncio», um homem desfia um sofrimento longo, a partir dum acontecimento que viveu com 16 anos e que lhe mudou a vida. Trata-se de Arlindo Espírito Santo, que viu grande parte da sua família ser presa em Dezembro de 1946, na aldeia de Cambedo da Raia, no concelho de Chaves, encostada à Galiza. Ali decorreu um episódio sangrento e tardio, ainda em resultado do golpe franquista em 18 de Julho de 1936.

A aldeia, cercada pela Guardia Civil, pelo Exército português, pela PIDE e pela GNR, foi atingida com vários tiros de morteiro no dia 21 de Dezembro. Dois guerrilheiros morreram, um provavelmente por suicídio para evitar a captura, uma criança foi ferida e foram destruídas várias habitações, porque ali se haviam refugiado desde a guerra civil alguns galegos até este momento de perseguição final ao seu grupo, em 1946.

A povoação de Cambedo da Raia perderá por mais de um ano 18 dos seus habitantes, presos no Porto preventivamente, até ao julgamento, que teve lugar em Dezembro de 1947. Por longo tempo este assunto permaneceu interdito, com os fascismos ibéricos a imporem a sua versão. Os habitantes de Cambedo arrastaram por dezenas de anos a reputação de malfeitores ou de acoitantes de criminosos, labelo que as autoridades lhes colaram. Alguns não indicavam a aldeia de nascimento em documentos, mas antes a sede de freguesia, para evitar o opróbrio que lhe estava associado. Em Dezembro de 2006, numa acção cívica levada a cabo por um conjunto de intelectuais galegos, resgatou-se a memória da solidariedade raiana e com ela a auto-estima local. Foi então aposta uma placa no centro da aldeia: “En lembranza do voso sufrimento (1946-1996)”

O filme recolhe o depoimento das pessoas da aldeia que ficaram 50 anos obrigadas ao silêncio, sem poderem falar deste episódio trágico.

Podes consultar o programa de todas as sessões de cinema aqui.

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Resto dossier

Desobedoc 2014 - mostra de cinema insubmisso

O Bloco de Esquerda, Partido da Esquerda Europeia e Rede Transform! comemoram os 40 anos do 25 de Abril na cidade do Porto, com uma mostra de documentários no Cinema Trindade e uma sessão internacionalista com Alexis Tsipras e Marisa Matias no dia 26 no Cinema Batalha. O Desobedoc - Mostra de Cinema Insubmisso terá entrada livre e vai dar a conhecer pela primeira vez no Porto alguns dos filmes que fazem a história das resistências ao fascismo e à guerra colonial e da revolução portuguesa.

Alexis Tsipras participa em comício no Porto a 26 de abril

No sábado, 26 de abril, pelas 21h30, o Partido da Esquerda Europeia, com apoio do Bloco, organiza um comício no Cinema Batalha, no Porto, que contará com as intervenções de Marisa Matias e Alexis Tsipras e as atuações musicais de Fred Martins e Uxía. Esta iniciativa integra-se no Desobedoc - mostra de cinema insubmisso, que terá lugar entre 25 e 27 de abril e cujo programa podes consultar aqui.

O que é o Desobedoc?

O Desobedoc - Mostra de Cinema Insubmisso é de entrada livre e vai dar a conhecer pela primeira vez no Porto alguns dos filmes que fazem a história das resistências ao fascismo e à guerra colonial e da revolução portuguesa.

Programa - Desobedoc 2014

O Desobedoc - mostra de cinema insubmisso decorre de 25 a 27 de abril nos cinemas Trindade, no Porto. Podes consultar aqui o programa de todas as sessões de cinema e do comício internacional com Alexis Tsipras e Marisa Matias.

Bem vindos ao Desobedoc!

Nesta mostra de 3 dias de cinema documental, vamos exercer o direito à memória, lembrando o fascismo e a resistência que se lhe opôs, a guerra e quem a combateu, a Revolução e a riqueza extraordinária desse ano e meio de democracia intensa que foi o PREC – período revolucionário em curso.

Tudo o que precisas de saber para ir ao Desobedoc 2014

O Desobedoc  - Mostra de Cinema Insubmisso decorre de 25 a 27 abril de 2014 na cidade do Porto no cinema Trindade. No sábado às 21h30 (26 de abril), a programação muda-se para o Cinema Batalha com um comício internacional com a presença de Alexis Tsipras e Marisa Matias.

A história do cinema que vai acolher o Desobedoc

Como quase todas as salas de cinema, também em 2000 o Trindade fechou. Reabriu depois disso por uns dias, para acolher uma extensão do festival Indie. E reabre agora, em abril, durante 3 dias, para receber o Desobedoc.

Notas sobre o Cinema no Porto (1896-1974)

A História do Cinema Português passa obrigatoriamente pelo Porto. Por várias razões. Aqui se começou a fazer cinema. Aqui se levou a cabo a primeira experiência de uma produção que se pretendeu de escala semelhante à de alguns dos principais estúdios europeus dos anos 20. Artigo de Jorge Campos.

Filmes de Tiago Afonso

Tiago Afonso realizou filmes para a Fundação Calouste Gulbenkian, Museu Municipal de Penafiel, Fundação de Serralves e Comédias do Minho. Colaborou como formador na área da imagem e da realização com a Associação Os Filhos de Lumière. No Desobedoc serão exibidos os filmes Histórias do Fundo do Quintal e Saturado.

25 de Abril, uma aventura na Demokracya, de Edgar Pêra

Documentário experimental no inconfundível estilo de Edgar Pêra, mais ao jeito de "remix", com base nos arquivos do 25 de Abril.

Emigr/Antes e Depois, de António Pedro Vasconcelos

Todos os anos, sobretudo no mês de Agosto, milhares de emigrantes voltam às suas aldeias vindos de França, da Alemanha e de outros países de imigração.

Roger e Eu, de Michael Moore

A jornada de Moore, cidadão de Flint, para encontrar o presidente da General Motors Roger Smith e convencê-lo a visitar a cidade criou um filme bem humorado, ácido e devastador.

Setúbal, Cidade Vermelha, de Daniel Edinger e Michel Lequenne

Outubro de 1975. Em Setúbal assiste-se aos plenários das comissões de trabalhadores, moradores, de soldados e cooperativas que defendiam o Poder Popular na cidade de Setúbal através do comité de luta de Setúbal.

Quem vai à Guerra, de Marta Pessoa

Passados 50 anos desde o seu início, a guerra é, ainda hoje, um assunto delicado e hermético, apoiado por um discurso exclusivamente masculino, como se a guerra só aos ex-combatentes pertencesse e só a eles afectasse.

Guerra ou Paz, de Rui Simões

Entre 1961 e 1974, cem mil jovens portugueses partiram para a guerra nas ex-colónias. No mesmo período, outros cem mil, saíram de Portugal para não fazer essa mesma guerra

5 Câmaras Partidas, de Emad Burnat e Guy Davidi

Em 2005, uma pequena cidade na Cisjordânia foi dividida por um muro, construído pelo governo israelita. Com o argumento oficial de proteger um povoado das redondezas, eles prepararam o terreno para a tomada de posse de 150 mil judeus israelitas.

Mudar de Vida, José Mário Branco, Vida e Obra, de Nelson Guerreiro e Pedro Fidalgo

Músico, compositor, poeta, ator, ativista, cronista, produtor musical, José Mário Branco é o homem dos 7 ofícios. Fala-nos da música e das suas convicções. As suas canções são um instrumento transformador da realidade.
O filme poderá ser visto no Desobedoc - Mostra de Cinema Insubmisso no Porto, dia 26 de abril às 17h, na sala Salgueiro Maia.

Ásia, o Despertar Operário de Michäel Sztanke

«Ásia, o despertar operário» é uma investigação emocionante de uma nova realidade que poderá virar a economia mundial do avesso.

Tarrafal – Memórias do Campo da Morte Lenta de Diana Andringa

Filmado durante o Simpósio Internacional sobre o Campo de Concentração do Tarrafal, que reuniu na Ilha de Santiago, Cabo Verde, muitos dos que por ali passaram, o documentário recolhe as memórias do português Edmundo Pedro, um dos dois únicos sobreviventes do primeiro período do campo, e de angolanos, guineenses e cabo-verdianos que ali foram encarcerados na sequência do desencadear da luta de libertação nas colónias.

Bush e Obama, a Era do Terror, de Oliver Stone

Para mudar radicalmente a conduta de regimes devemos pensar com claridade e coragem, pois, se aprendemos alguma coisa é que os regimes não querem ser mudados.” Julian Assange no último capítulo da série "Untold History of the United States”

Amanhã, de Solveig Nordlund

A noite já vai tarde e Nuno e o cão adormecem abraçados. Acordam de manhã com gritos vindos da rua. Nuno pensa que é a sua mãe à sua procura e corre à janela ver o que se passa. A rua está cheia de gente, há tanques e soldados. É o 25 de Abril

Filmes de animação de Abi Feijó

Abi Feijó nasce em Braga em 1956. Licenciado em Arte Gráfica e Design pela Escola Superior de Belas Artes do Porto foi no primeiro Cinanima (1977) que descobriu as potencialidades artísticas do Cinema de Animação.

Muitos dias tem o mês, de Margarida Leitão

Com o simples gesto dum cartão de crédito ou um telefonema, os nossos sonhos tornam-se realidade. Por todo o lado somos seduzidos, o recurso ao crédito vulgarizou-se e o consumo democratizou-se. Tudo nos indica que a felicidade só se alcança através do consumo.

Casas para o Povo, de Catarina Alves Costa

Esta instalação nasceu da experiência de trabalhar arquivos de imagens e sons do período entre Agosto de 1974 e Outubro de 1976. É a história do SAAL, Serviço de Apoio Ambulatório Local (1974 - 1976), um movimento lançado após a revolução por um grupo de arquitectos que respondia à luta de rua dos moradores pobres que no Verão quente de 1974 gritavam “Casas Sim! Barracas Não!”.

As operações SAAL, de João Dias

As Operações SAAL é o mais completo, abrangente e emocionalmente rico documento, de um período crítico do país e da sua história recente.

À procura do Socialismo, de Alípio de Freitas e Mário Lindolfo

Um documentário de autoria do jornalista Alípio Freitas e Mário Lindolfo, sobre a história contemporânea de Portugal no período pós 25 de abril. O movimento operário e as ideias socialistas em Portugal, dos finais do século XIX aos anos do PREC (1974/75).

Silêncio, de António Loja Neves e José Manuel Alves Pereira

Arlindo Espírito Santo, viu grande parte da sua família ser presa em Dezembro de 1946, na aldeia de Cambedo da Raia, no concelho de Chaves, encostada à Galiza. Ali decorreu um episódio sangrento e tardio, ainda em resultado do golpe franquista em 18 de Julho de 1936. Por Paula Godinho