Silva Lopes, o "economista antigo

Ele vinha de longe e lembrava-se: A economia portuguesa desde 1960, um dos seus livros, acaba por sintetizar no seu título uma carreira de servidor público, da EFTA ao Banco de Portugal, quando este ainda era de Portugal. Por João Rodrigues no Ladrões de Bicicletas.

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«Sou um economista antigo, vejo as regulações que tínhamos e que hoje já não existem e fico um bocado preocupado». Assim falava, em 2008, no pico da crise financeira, José da Silva Lopes numa entrevista. Um economista sempre preocupado com o país morreu ontem. Um dia, num debate realizado depois da crise financeira asiática de 1998, já não me recordo o ano, lembro-me de Silva Lopes ter usado a mesma expressão, perante um dos economistas crentes na hipótese dos mercados eficientes, seu parceiro de debate: «eu sou um economista antigo». Acho que o fazia por ironia em relação à ideologia que passa por economia convencional, hegemónica, e, talvez, por se lembrar de tempos económicos mais sensatos (quem disse que o progresso intelectual é garantido?), quando a maioria dos economistas conhecia a instabilidade dos mercados e a necessidade de terem rédea mais curta. Ele vinha de longe e lembrava-se: A economia portuguesa desde 1960, um dos seus livros, acaba por sintetizar no seu título uma carreira de servidor público, da EFTA ao Banco de Portugal, quando este ainda era de Portugal. Muitas vezes, mesmo muitas vezes, discordámos dele. É assim mesmo. Ele nunca se furtava ao debate: só os argumentos valem. Os economistas antigos farão sempre falta.

Publicado por João Rodrigues no blogue Ladrões de Bicicletas.

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Ele vinha de longe e lembrava-se: A economia portuguesa desde 1960, um dos seus livros, acaba por sintetizar no seu título uma carreira de servidor público, da EFTA ao Banco de Portugal, quando este ainda era de Portugal. Por João Rodrigues no Ladrões de Bicicletas.