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#EmBomRigor: Face à média europeia, temos pouco Estado na economia

No terceiro gráfico da série #EmBomRigor mostramos que ao contrário do que argumenta a direita, em Portugal o Estado gasta menos do que a média da Zona Euro em quase todas as categorias de despesa apresentadas, à exceção das operações da dívida pública.

Uma das discussões mais recorrentes no debate económico é sobre o peso do Estado. À direita, costuma dizer-se que o principal entrave ao desenvolvimento do país é o peso excessivo do Estado, que impede o mercado de funcionar.

No debate para as últimas eleições legislativas que colocou frente a frente Rui Rio (PSD) e João Cotrim Figueiredo (IL), o líder da oposição disse que havia convergência entre os partidos em matérias económicas, uma vez que em Portugal “temos tanto socialismo e tanto Estado em cima de nós”.

Só que os números do Eurostat mostram-nos que a realidade é um pouco diferente: em Portugal, o Estado gasta menos do que a média da Zona Euro em quase todas as categorias de despesa apresentadas, desde a saúde à educação, passando pela proteção social, transportes, habitação, cultura ou proteção ambiental. Em 2020, tivemos também o nível mais baixo de investimento público de toda a UE. O único aspeto em que gastamos acima da média é em operações da dívida pública.

Isto não significa que o Estado não tem despesas desnecessárias e áreas onde se pode cortar. Basta pensar no dinheiro que todos os anos se gasta em Parcerias Público-Privado ou em benefícios fiscais de duvidosa desejabilidade. Mas significa que, em bom rigor, Portugal não tem "Estado a mais" na economia: tem níveis de investimento público e apoios sociais bastante abaixo do necessário.

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