Da afirmação da ministra do Trabalho de Itália sobressai a parte amarga, a realidade. O trabalho tem vindo a ser expurgado da jurisprudência europeia do grupo dos direitos sobre os quais se baseia uma sociedade.
Entre as principais medidas de corte apresentadas pelo governo aos sindicatos encontramos a redução de pessoal no sector público de 10% ao nível dos funcionários e 20% ao nível dos dirigentes.
O Movimento 5 Estrelas (M5S) fala fortemente à esquerda. Mas a ambivalência acompanhará a parábola, até agora crescente, de um sujeito político que está entre os mais anómalos da história italiana e, como tal, entre os mais imprevisíveis.
O 9 de março procura recuperar o espírito do 16 de outubro de 2010 quando a FIOM conseguiu reunir em torno de si grande parte do variado mundo da Esquerda.
O Eleftherotypia (“liberdade de imprensa”), um dos dois maiores diários gregos, saiu no dia 15 em toda a Grécia com o cabeçalho “Trabalhadores do Eleftherotypia”, autogerido pelos 800 trabalhadores em greve e solidário com a onda de protestos que sacode o país.
A 1 de Fevereiro, numa entrevista televisiva, o primeiro ministro italiano Mario Monti afirmou que um posto de trabalho fixo é coisa que já não existe, acrescentando num tom que sugeria humor, que isso é até monótono.
Se a segurança rodoviária fosse realmente um “bem comum”, se o transporte se tornasse um serviço e não um Status, talvez déssemos um passo em frente na organização de uma vida mais digna.
Onde nos trouxe a desregulamentação progressiva do mercado de trabalho iniciada em 1997 por um governo de centro esquerda (o primeiro de Romano Prodi) e prosseguida pelo governo de centro direita (de Berlusconi)?
A crise morde cada vez mais e o futuro anuncia-se péssimo. Diante da “constituinte” do capitalismo europeu, na qual Monti se coloca, é necessária uma ideia análoga e alternativa. Não é o momento de estreitamento e sectarismos.
Segundo o estudo do Banco de Itália, a riqueza está concentrada no topo da pirâmide e as famílias de baixo rendimento são, ao mesmo tempo, as mais endividadas.