Pedro Miguel Cardoso

Pedro Miguel Cardoso

Investigador e formador

Mesmo com crescimento económico os trabalhadores empobrecem. A repartição do rendimento nacional vai provavelmente continuar na sua tendência de agravamento em favor do capital em detrimento do trabalho.

Esperar por milagres tecnológicos não é a postura mais realista e precavida. Este é um desafio que requer solidariedade, cooperação e respostas coletivas.

A social-democracia apesar de continuar a ter apoio popular em diversos países foi derrotada com um “abraço de urso” pelo capitalismo. Em vez de transformar o capitalismo, foi transformada por ele.

Uma cidadania informada e esclarecida não se pode basear apenas no consumismo noticioso. É necessário procurar fontes alternativas, comparar versões e narrativas, ouvir e ler diferentes opiniões, refletir.

Tal como outros impérios, neste existe um centro e uma periferia. O centro impõe e obriga a periferia à sua ordem política e económica.

Não é de estranhar que a economia de mercado se esteja a transformar cada vez mais numa sociedade e natureza de mercado. Como salienta o slogan usado em manifestações por todo o mundo “mudar o sistema, não o clima.”

Se é verdade que com o capitalismo surgiram novas formas de liberdade e democracia, sobretudo política, parece que o sistema impede novas realizações para elas.

As reformas estruturais que necessitamos passam pela revalorização das funções sociais e económicas do Estado, pelo retorno à esfera pública de empresas estratégicas.

Apesar das evidências, há pessoas que insistem que aquilo que necessitamos é mais crescimento económico, mais acumulação de riqueza, mais ricos, até ela chegar a todos.

Está em causa o futuro da humanidade e do organismo vivo que é o planeta Terra. Com a força da vontade e da acção colectiva podemos superar este desafio civilizacional.