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A fraude de Seguro no interior do país

Seguro foi cúmplice de um contínuo de ataques ao interior perpetrados por sucessivos governos liderados pelo PS ou PSD com o esteio do CDS.

Enquanto se encomendam estudos e se criam laboratórios de ideias, assistimos à análise de estatísticas com discursos floreados de apelo à coesão nacional; enquanto se apela ao sentimento com juras de fidelidade ao interior, passa-se ao discurso da dificuldade, das prioridades e de um interior adiado. Esse adiamento devolve a constatação de que algo vai mal e com discursos piegas, invariavelmente, vários políticos esgotam-se em desculpas e atribuem responsabilidades a quem alterna no poder – sem nunca ver o seu partido ao espelho. Tem sido assim e não foi diferente com António José Seguro, que decidiu efetuar um périplo pelo interior do país, lamentando a situação dramática a que se chegou.

Seguro foi cúmplice de um contínuo de ataques ao interior perpetrados por sucessivos governos liderados pelo PS ou PSD com o esteio do CDS. Todos estiveram apostados no fecho indiscriminado de serviços públicos sem um projeto sustentável. Reduziram significativa e sucessivamente as verbas necessárias para garantir o funcionamento normal das instituições e do património do estado. A última década acentuou ainda mais a perda de população, o empobrecimento, o desemprego, a sucessão ininterrupta de notícias de encerramentos, como a recente do fecho por tempo indeterminado da Pousada de Elvas, a mais antiga do País. Notícias destas fazem parte do cardápio do interioricídio que já fechou escolas, centros de saúde, urgências, ferrovia, estações dos CTT, delegações da EDP ou da PT, serviços públicos outros e continua sob ameaça em especial nas freguesias.

A preocupação de Seguro foi “tapar o sol com a peneira”, a seriedade merecia mea culpa e apresentação de propostas. Fazer uma oposição dietética não o impede de apresentar alternativas, mas é tarefa impraticável porque sempre fez parte do esquadrão que há dezenas de anos ataca o interior do país. Seguro, além de membro de vários governos e deputado europeu, já leva 20 anos de deputado na AR. Seguro fez parte das decisões, Seguro foi companheiro de Maria de Lurdes Rodrigues, Correia de Campos e José Sócrates e outros, Seguro sabe o que fez. Agora, reinventado em menino imaculado, é parte integrante do sistema político pessoalizado como forma de engano e construção de amnésia política permanente ao povo e de renovação de expectativas em “novos” políticos do regime; assim se tem garantido o rotativismo ao centro e políticas continuadamente cada vez mais à direita.

Desta campanha publicitária, que uma qualquer agência lhe preparou, o site do parlamento não regista um único requerimento ao governo, um único projeto-lei ou um único projeto de resolução. A coisa mais audaciosa que Seguro conseguiu dizer foi a propósito da redução de redução das taxas de IRC para as empresas sediadas no interior do país, eliminada por imposição da troika: “eu não cruzo os braços e na reunião que tive com a troika propus exatamente que essa medida pudesse ser recuperada porque é uma forma de atrair investimento privado para o interior”. O resultado conhecido é zero. Os tementes à troika nunca chegarão ao reino da credibilidade política, quanto mais ao da esquerda!

Por enquanto Seguro ainda encontrou o interior, mesmo sendo o seu acesso mais penoso e ainda encontrou pessoas, apesar de ser um exercício estoico apostar em não partir. Autoempossado como guardião do interior, quer sustentar o cetro defendendo o pregão de Frei Tomás e, eleito ou não, com fumo branco ou fumo preto, apregoa inflamado - Habemos Interior! É a vacuidade política!

Sobre o/a autor(a)

Dirigentes do Bloco de Esquerda
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