Está aqui

Sanções a Portugal serão “declaração de guerra” e podem provocar referendo

Catarina Martins diz que uma eventual sanção de Bruxelas a Portugal seria uma “declaração de guerra” a que Portugal deveria responder com um referendo. Para o Orçamento de 2017, a prioridade é o aumento das pensões mais baixas e das prestações sociais, anunciou a coordenadora bloquista.
Fotos de Paulete Matos

A crise que a Europa atravessa dominou o discurso de encerramento da X Convenção do Bloco de Esquerda. Catarina Martins falou em nome da sua geração, aquela “para quem é mais doloroso olhar hoje a Europa tal como ela é e perceber que a construção europeia que nos prometeram está a ser uma mentira e não é mais do que a União Europeia do nivelamento por baixo” tanto ao nível laboral e ambiental como na resposta aos refugiados.

“A União Europeia é agora esta corrida para o fundo. Transformou-se numa enorme e tristíssima mentira”, acrescentou Catarina, respondendo em seguida: “Se a União Europeia está em crise, vamos à luta, este é o momento da construção da alternativa. Na esquerda rejeitamos a corrida para o fundo”.

“Somos europeus contra os financeiros que amesquinham a Europa em jogos de casino, somos europeus com os trabalhadores de Paris que desafiam a proibição da sua manifestação, somos europeus com os que em Espanha votam contra a corrupção e para tirar a direita do poder, somos europeus com os grevistas de Itália contra a destruição da segurança social, somos europeus com os imigrantes e refugiados”, prosseguiu a coordenadora do Bloco, reafirmando que “os nossos aliados não são quem constrói muros, mas sim aqueles que lutam para os derrubar”.

“O pior da União Europeia é a sua chefia: são homens perigosos e mostram todos os dias que estão dispostos a destroçar a Europa para aguentar a política que assusta os povos”, concluiu Catarina, com um aviso ao governo sobre a próxima reunião do Conselho Europeu: “o governo português deve ter uma prioridade: a recusa e das sanções com que a Comissão ameaça Portugal”.

Para Catarina, a decisão de aplicar sanções a Portugal por causa do governo que seguiu as polícias da troika significa que “a Comissão Europeia declara guerra a Portugal. “E nesse caso Portugal só pode responder recusando as sanções, recusando o arbítrio e anunciando que está disposto a por na ordem do dia um referendo para tomar posição contra as sanções”, avisou.

Para unir forças a nível europeu, Catarina lançou a proposta de reunir uma Assembleia Europeia das Alternativas “que lance as fundações de um política de cooperação, solidariedade e democracia”.

Pensões e apoios sociais na agenda das negociações do OE2017

A relação com o governo também marcou o discurso de Catarina Martins, com o foco nas decisões do próximo Orçamento de Estado e nas medidas em execução, como o salário mínimo, que terá de subir no mínimo 5% ao ano até chegar aos 600€. “O que quer dizer que em Janeiro de 2017 subirá para 557€ e essa diferença chega a um milhão de pessoas”, lembrou.

“Terá de ser reposta a progressividade nos escalões do IRS, protegendo salários e pensões”, acrescentou Catarina, anunciando que “o Bloco de Esquerda, no orçamento para 2017, discutirá por isso a prioridade a um aumento real das pensões, desde logo das mais baixas”, que pouco aumentaram com o descongelamento deste ano.

“Não podemos deixar ninguém para trás e os pensionistas têm sido das maiores vítimas da crise. Lutaremos para que lhes comece a ser feita justiça”, prosseguiu, recordando que o valor do Indexante de Apoios Sociais (IAS) está congelado desde 2009. “Quer dizer que desde 2009 que não há atualização dos valores das prestações e que, portanto, quem menos tem recebe cada vez menos. São já 7 anos a cortar em quem mais precisa. Não é aceitável”, afirmou Catarina, assumindo a prioridade de descongelar o valor do (IAS).

Na conclusão do discurso, Catarina Martins referiu-se ao que o Bloco conquistou no último período e ao que ainda falta conquistar: “Diziam-nos que seria impossível um governo que não cortasse pensões. Como viram, não é. Diziam-nos que era impossível a um governo recuperar os salários. Não é. Não nos venham agora dizer que é impossível um governo que reestruture a dívida para evitar o aumento dos impostos ou que é impossível um governo que consiga responder pela criação de emprego”.

Para além da negociação no quadro da maioria parlamentar, o Bloco não abdica das suas bandeiras e das suas propostas, avisou. “Claro que queremos ser poder e ser governo. Reestruturar a dívida, pôr a finança no seu lugar, combater a precariedade, garantir justiça e escola e saúde e cultura e ciência. Sim, é isso querer ser poder. Queremos juntar forças para vencer a austeridade. Querer ser poder é querer ser povo, é querer ser levantamento, é querer ser gente”, declarou entre aplausos das centenas de congressistas presentes no Pavilhão do Casal Vistoso, em Lisboa.

Intervenção de encerramento da X Convenção | ESQUERDA.NET

Artigos relacionados: 

Termos relacionados Política, X Convenção

Comentários

Eu cidadão português quero um referendo para sair do euro chega de ser roubado de ser prejudicado pelos os outros paises. Mas peço ao bloco de esquerda que divulgue as trafulhices do anterior governo como a manutenção do helicóptero de combate à incêndio sobre a sua manutenção, o banco que Miguel relvas comprou e o governo anterior investio milhões de euros para esse senhor, dinheiro dos nossos impostos, o bloco de esquerda devia divulgar estas coisas aos cidadãos portugueses que têm direito de saber. melhor de que vocês que estão aí na assembleia da república para divulgar muitas coisas.
Um abraço de Rui Saraiva

Adicionar novo comentário