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“Tivesse o Bloco mais força e o Banif não tinha sido entregue ao Santander”

Catarina Martins abriu a X Convenção do Bloco com um discurso em que passou em revista os últimos dois anos e a mudança que o Bloco trouxe ao país. E anunciou que esta semana o partido leva a votos medidas para proteger os desempregados e acabar com a humilhação das apresentações quinzenais nos Centros de Emprego.
Foto Paulete Matos

Catarina Martins deu as boas vindas às mais de 500 delegadas e delegados presentes na Convenção, lembrando que na última Convenção, em 2014, o partido se encontrava “numa situação muito diferente desta e, em boa medida, dificilmente imaginando o que poderiam ser os dias de hoje. No Bloco e em Portugal”.

O percurso do Bloco nos últimos dois anos, marcado pelo reforço da intervenção e da influência social e eleitoral no país, marcaram boa parte da intervenção de abertura, com destaque para as lutas sociais contra a austeridade e a precariedade. “O Bloco foi, é e será uma força essencial da luta de quem trabalha – sabemos onde estão as nossas prioridades”, afirmou Catarina.

“Mudar o presente para construir um outro futuro, recusar cartas marcadas, ir à luta. É assim o Bloco”, prosseguiu, elencando as mobilizações recentes pelo direito à habitação e contra os despejos,  no combate às alterações climáticas e nos movimentos pelo ambiente - “que bela manifestação fizemos contra o nuclear em Almaraz” -, nos ativismos anti-racistas e no combate pelos direitos dos imigrantes e refugiados, ou na defesa da escola pública “para lembrar aos donos dos colégios que a educação dos nossos filhos é um dever público e um direito das crianças e não uma renda para o privilégio”.

Sobre o que mudou no Bloco e no país, com “uma maioria parlamentar assente no compromisso de defesa dos rendimentos do trabalho e do Estado Social”, Catarina lembrou os compromissos presentes no acordo para o qual desafiou António Costa na campanha eleitoral.

“E é só o início. O Bloco teve 10% nas eleições, determinamos a maioria mas não temos ainda a força para fazer o governo. Tivesse o Bloco tido mais força e o Banif não tinha sido entregue ao Santander”, o governador do Banco de Portugal “não continuava a assustar o país com ameaças de colapso bancário umas atrás das outras” e Portugal “não tinha assinado com a Turquia a vergonha do acordo anti-humanitário que é o contrário do que a Europa tinha que fazer”, enumerou.

Catarina Martins anunciou também que no dia 29 o Bloco vai discutir no parlamento algumas propostas para “defender a dignidade de quem está desempregado”. “Não aceitamos medidas que não servem nem para formação nem para encontrar emprego e que atribuem aos desempregados a culpa do desemprego. É preciso acabar com a perseguição às vítimas da crise”, declarou Catarina, revelando que há acordo com o governo para “acabar com a humilhação da obrigação das apresentações quinzenais” dos desempregados nos Centros de Emprego.

A situação atual da União Europeia não ficou de fora do discurso de abertura de uma Convenção onde ela será tema forte. Para Catarina, a questão que se coloca após a crise financeira, a chantagem à Grécia, o erguer de muros e a xenofobia, ou a saída do Reino Unido, é a seguinte: “tem ainda sentido a esquerda posicionar-se no espaço da disputa pela miragem de uma Europa imaginária e bondosa, que quisesse ser social e democrática, cada vez mais distante da realidade dos Tratados e dos poderes fácticos? Ou não teremos nós de responder já sobre qual é o papel da esquerda face à degradação da União Europeia a que estamos a assistir agora?”.

Para a porta-voz bloquista, “a política que responde pelo seu país tem de preparar todos os cenários. Ficar à espera de ventos bons de Bruxelas ou Berlim não é só irrealista. É perigoso”.

Intervenção de abertura da X Convenção do Bloco

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