“Braga necessita de homenagear os seus democratas, não precisa de evocar aqueles que se comprometeram ideológica e politicamente com as forças que se opuseram à instauração da democracia em Portugal”, refere a convocatória do protesto, subscrita por diversos cidadãos da cidade.
Os convocantes acusam a colocação da estátua de ser “um ataque à memória dos que contribuíram para a instauração da liberdade, prejudica a imagem de Braga como município aberto e democrático e introduz uma irreparável divisão entre bracarenses”.
“Esta estátua foi desejada por uns poucos e repudiada por uma imensa maioria”, acusam.
A concentração pacífica, marcada para o lugar da implantação da estátua, “visa reafirmar os ideais democráticos de abril e repudiar a mitificação de valores e de atos que evocam os tempos da obscuridade e da servidão”.
Uma estátua ao cónego Melo foi sábado, 10 de julho, colocada de surpresa numa rotunda da cidade de Braga, para homenagear aquele que foi vigário geral da arquidiocese durante mais de três décadas.
Na Câmara, a implantação do monumento foi aprovada apenas com os votos favoráveis do PS e com a abstenção dos vereadores eleitos pela coligação de direita Juntos por Braga.
"Quer homenagear o cidadão cónego de Melo. Que fique bem claro. O cidadão, o bracarense, que era um bracarense dos sete costados. Era um grande bracarense e, como tal, é essa homenagem que nós lhe devemos. O resto tem que ser abstraído", justificou o presidente da Câmara do Partido Socialista, Mesquita Machado.
O Bloco de Esquerda e o PCP de Braga já contestaram publicamente a estátua, sublinhando que o homenageado, logo após a revolução democrática, participou na organização do fascista autodenominado Exército de Libertação Nacional (ELP), promoveu a destruição de sedes de organizações de esquerda e apoiou atentados bombistas, designadamente o que vitimou o padre Max”.
O protesto está marcado para as 18:30 na Rotunda de Monte D’Arcos, onde foi colocada a estátua.