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Estátua do cónego Melo instalada de surpresa em Braga

Bloco de Esquerda diz que foi consumada uma “ofensa ao sentido democrático dos bracarenses que, desde o primeiro momento, se opuseram à glorificação de quem tem no seu currículo a participação ativa na violência contra a democracia” e denuncia a responsabilidade do PS de Braga que votou sozinho na câmara para que a estátua fosse colocada.
O Cónego Melo (à esquerda) abraça, em 2001, o assassino Ramiro Moreira, condenado a 21 anos de cadeia pelas suas atividades terroristas/bombistas. Foto de JOAO ABREU MIRANDA/LUSA

A estátua ao Cónego Melo foi instalada este sábado de surpresa e em segredo em Braga, apesar de a inauguração ter sido adiada para depois das eleições autárquicas. A estátua está na rotunda de Monte de Arcos.

Na Câmara, a colocação do monumento foi aprovada com os votos favoráveis do PS e com a abstenção dos vereadores eleitos pela direita. Recorde-se que o secretário-geral do PS, António José Seguro, foi eleito pelo círculo de Braga.

O Bloco de Esquerda, em comunicado, repudiou firmemente a edificação da estátua do cónego Melo e anunciou que apoiará todos os movimentos de cidadãos que contra ela se ergam.

Ofensa ao sentido democrático dos bracarenses”

Para a Coordenadora Concelhia de Braga do Bloco de Esquerda, foi desta forma consumada a “ofensa ao sentido democrático dos bracarenses que, desde o primeiro momento, se opuseram à glorificação de quem tem no seu currículo a participação ativa na violência contra a democracia e o envolvimento na especulação imobiliária”.

Em comunicado, a concelhia bloquista recorda a participação do cónego Melo na organização do fascista auto-denominado Exército de Libertação de Portugal (ELP), que promoveu “a destruição de sedes partidárias e apoiou atentados bombistas, designadamente o que vitimou o padre Max”.

“No período constitucional”, recorda o Bloco, o cónego Melo foi um ativo promotor de interesses imobiliários especulativos, por vezes contra a própria igreja bracarense, como aliás foi denunciado por setores desta, a propósito designadamente dos terrenos da Quinta do Colégio dos Orfãos”.

Profundas antipatias à esquerda e à direita

O comunicado recorda as profundas antipatias que a figura despertou em vastos setores da sociedade portuguesa, à esquerda e à direita. “Quando, na Assembleia da República, foi proposto pelo CDS um voto de homenagem ao cónego Melo, após a sua morte, a imensa maioria dos deputados socialistas absteve-se ou votou contra, tendo-se retirado da sala deputados do PSD como Mota Amaral ou o bracarense Miguel Macedo”.

O Bloco observa ainda que “não deixa de ser notório que o presidente da Câmara Mesquita Machado tenha assinalado o seu longo mandato com duas estátuas a anti-democratas. No início, Santos da Cunha [o presidente da Câmara que mais tempo ocupou a Praça do Município durante o antigo regime]; agora, Eduardo Melo Peixoto”. O comunicado sublinha que o Partido Socialista em Braga há décadas que deixa muito a desejar no que respeita aos valores democráticos. “A arrogância e prepotência com que tem dirigido o município, a ligação direta com os interesses económicos e sociais mais obscuros, a sistemática desvalorização dos ideais de esquerda são uma marca de água do Partido Socialista em Braga”. E insiste: “Jamais, após a homenagem ao fascismo que este ato significa, o Partido Socialista em Braga se poderá reivindicar da esquerda. É, por consequência, como parte da direita que tem de ser combatido”.

Democracia ultrajada

Para o Bloco de Esquerda, “a democracia é ultrajada com a homenagem a um anti-democrata”. E sublinha que os bracarenses “não se reconhecem nessas práticas e naqueles valores. Braga é uma cidade de gente de trabalho, que acredita que o destino coletivo se deve firmar na expressão democrática e não no uso da violência ou no negocismo mais rasteiro”.

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