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Violência doméstica: Aumenta o número de vítimas de "stalking", revela a APAV

A Associação Portuguesa de Apoio à Vítima (APAV) registou nos últimos três anos 1197 casos de perseguição persistente -"stalking" - dos quais 411 ocorreram no ano passado.
Um "stalker" começa por esconder as suas reais intenções. Foto Flickr
Um "stalker" começa por esconder as suas reais intenções. Foto Flickr

Num relatório divulgado pela organização e citado na edição desta terça-feira do “Jornal de Notícias”, Daniel Cotrim, responsável da associação, afirmou que “todos os dias  é reportado um crime de perseguição persistente de alguém rejeitado” e que este tipo de crime devia merecer mais atenção uma vez que está com muita frequência associado “aos atos mais hediondos dentro da categoria da violência doméstica” e que no limite termina em homicídio.

Para Daniel Cotrim ostalking” tem uma ligação muito estreita ao “homicídio conjugal” e acrescenta que os atos de perseguição persistente são por norma “desvalorizados”.

“Dizem que o ex-companheiro não se adaptou à ideia de separação, que precisa dum tempo”, refere Daniel Cotrim que chama ainda a atenção para o facto de as vítimas “não terem noção do que lhes está a acontecer e correm, muitas vezes, risco de vida”.

Associação a "atitudes românticas"

De acordo com o estudo da APAV, o tipo de comportamento evidenciado por um "stalker" pode confundir-se com atos associados ao romantismo porque num primeiro momento tem um carácter “amistoso” e até “inofensivo”, e pode passar pela oferta de flores, cartões com declarações de amor, vários telefonemas e também envio de mensagens.

No entanto aquele jornal adianta que este tipo de atitudes tem um segundo momento que passa pela aproximação do potencial agressor aos amigos e familiares das vítimas com o intuito de recolher informações, além de visitas aos locais que esta frequenta o que configura um aumento nas estratégias de perseguição que podem conduzir a atitudes de violência.

Até 2005, o "stalking" enquadrava-se nos crimes de devassa da vida privada ou ofensa físicas, mas a partir dessa data passou a ter enquadramento jurídico específico o que permite que os seus autores possam ser condenados a pena de prisão até três anos.

O "stalking" tem uma ligação muito estreita com o homicídio conjugal.

Do relatório da APAV relativo a 2016 indica que houve 35411 atendimentos, ou seja, mais 8,1 por cento do que há três anos e destes 41,6 por cento levaram a queixas policiais.

O responsável da APAV nota ainda o aumento de 3,3 por cento de apoio a idosos e também a homens que registou um crescimento de 9,4 por cento.

No entanto, as mulheres continuam a ser as principais vítimas destes crimes porquanto há registo de 100 pedidos de ajuda por semana.

Na caracterização das vítimas cabe ainda destacar que a idade média da mulher que se vê envolvida nesta situação é de 43,6 anos sendo que 28 por cento têm filhos. Em termos de habilitações escolares regista-se um maior número de pessoas com estudos superiores.

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