Cerca de cem pessoas, na sua maioria jornalistas, concentraram-se esta quinta-feira diante da sede do Diário de Notícias, na Av. da Liberdade, em Lisboa, para protestar contra o despedimento coletivo anunciado pelo grupo Controlinveste de 160 trabalhadores, entre eles 65 jornalistas. O ambiente era de consternação por este despedimento e a sua proporção, e pela forma como foi feita: um corte cego, sem que se enxerguem critérios que não sejam a simples redução de custos. A deputada bloquista Cecília Honório também marcou presença para prestar solidariedade com os trabalhadores da Controlinveste.
“A maneira como este processo foi conduzido é um bocado típica nestes casos” disse ao Esquerda.net o jornalista Paulo Martins, editor-executivo adjunto do Jornal de Notícias e responsável pela delegação de Lisboa do centenário jornal. “Eu por exemplo soube por telefone que estava despedido. Fui informado de que ia haver um processo de rescisão e eu estava incluído”.
Na sua opinião, depois destes cortes, o jornal não fica com muitas condições de fazer um produto informativo de qualidade. “É impossível, pelo menos em relação ao Diário de Notícias e ao Jornal de Notícias, que é realidade que eu conheço melhor, que com as pessoas que sobram se possa fazer um produto digno de dois órgãos de comunicação que são históricos, que têm cada um mais de cem anos”. Paulo Martins considera que isso “vai ser péssimo para todos nós enquanto cidadãos, vamos ter cada vez menos informação jornalística e cada vez mais permeabilidade a forças organizadas para passar a informação que lhes interessa”.
Sobretudo em solidariedade
João Paulo Baltazar, da TSF, que também foi despedido, disse estar ali sobretudo em solidariedade com 159 companheiros de vários órgãos de comunicação social do grupo “que estão a passar pelo mesmo que eu. Tenho que lá estar a dizer quer estamos presentes, a partilhar este sentimento”.
O jornalista, que disse ter ainda a paixão da rádio, “apesar de estar um bocadinho abalada”, perguntou se tinha sido considerada a possibilidade de renegociar salários, “obviamente não os mais baixos nem sequer os intermédios, mas os salários de topo – e por que não também os das direções? E foi-me dito que isso nem foi considerado”.