“No dia 25 de novembro de 2013, faleceu no Hospital Amadora Sintra uma utente após mais de seis horas a aguardar atendimento na sala de espera. Os médicos informaram ter-se tratado de uma morte por enfarte do miocárdio, que poderia ter sido evitável caso tivesse sido atempadamente atendida. A utente tinha 67 anos e não tinha antecedentes cardíacos”, avançam os deputados João Semedo e Helena Pinto no documento endereçado ao ministério de Paulo Macedo.
Segundo os dirigentes bloquistas, a utente, que se queixava de fortes dores no tórax e foi transportada para o hospital de ambulância, aguardou das 16h47 até 23h00 sem atendimento, apesar de lhe ter sido atribuída uma pulseira amarela na triagem.
“Por volta das 23h00, a utente começou a ser atendida: foi auscultada e foi-lhe colocado oxigénio, mas, quando ia ser levada para efetuar um raio-x entrou em paragem cardiorrespiratória tendo sido levada para a reanimação; tentaram reanimá-la durante cerca de 45 minutos mas sem sucesso. Em resumo, a utente esteve mais de seis horas a aguardar atendimento na sala de espera, vindo a falecer quando começou a ser atendida”, relatam.
Para o Bloco de Esquerda, “esta situação é absolutamente inaceitável e que tem que ser averiguada até às últimas consequências”.
“O falecimento de uma utente num hospital público após mais de seis horas a aguardar para ser atendida é incompreensível e o Governo não pode desresponsabilizar-se desta ocorrência, uma vez que são da sua responsabilidade as políticas de austeridade que têm dificultado o funcionamento dos serviços e impedido um atendimento eficaz e no tempo certo”, frisam.
“Situações destas vão-se verificando nas urgências dos hospitais do Serviço Nacional de Saúde com maior frequência e sem que haja da parte do Ministério da Saúde qualquer atitude ou tomada de medidas que evitem este tipo de ocorrências”, avançam Helena Pinto e João Semedo, salientando que é “fundamental que a Inspeção Geral das Atividades em Saúde (IGAS) proceda à realização de um inquérito que apure responsabilidades e que sejam tomadas medidas que garantam que situações como esta não voltam nunca mais a acontecer”.