Segundo a comunicação social, a Alemanha pretende que a Irlanda recorra ao Fundo Europeu de Estabilização Financeira (FEEF), antes da reunião do Eurogrupo, que se realiza nesta terça feira.
Apesar das fortes pressões da Alemanha e de outros países, o governo irlandês tem resistido, desmentindo que tenha intenção de recorrer ao FEEF.
As pressões no entanto não param de subir, Vítor Constâncio actual vice-presidente do Banco Central Europeu, veio nesta segunda feira declarar que o Governo grego tem de tomar novas medidas de austeridade para respeitar as metas de redução do défice, após o Eurostat ter revisto em alta o défice público grego de 2009, que passou de 13,6% do PIB, para 15,4%. Constâncio pressionou também a Irlanda a recorrer ao FEEF por causa da situação dos seus bancos. Para Vítor Constâncio o FEEF é “adequado” para a Irlanda porque: “Segundo as regras do fundo, não se pode emprestar directamente aos bancos. Mas pode emprestar aos Governos, que depois podem usar os recursos para esse fim”.
O site do jornal “Público” refere entretanto que, de acordo com um alto responsável europeu falando sob anonimato, a Irlanda está sob pressão de várias capitais europeias a recorrer ao FEEF e se tal acontecer, Portugal será incluído no pedido: “Se houver um programa [de ajuda à Irlanda] será para os dois países”, disse o alto responsável europeu. Ainda de acordo com o site do jornal, a Espanha não deverá ser incluída por ora, nas deverá tomar mais medidas de austeridade.
O primeiro-ministro grego, George Papandreou, acusou a Alemanha de estar a provocar a subida dos juros de Portugal e da Alemanha. Segundo Papandreou, a proposta alemã, apoiada pela França, de responsabilizar os credores em caso de incumprimento do pagamento dos juros da dívida soberana, "pode colapsar os bancos e arrastar alguns países para a falência".
Perante esta situação, o ministro das Finanças de Portugal declarou ao jornal “Financial Times” que o risco de Portugal recorrer ao FEEF “é elevado” e justificou da seguinte forma: "O risco é elevado porque não enfrentamos apenas um problema nacional. Existem os problemas da Grécia, de Portugal e da Irlanda. Não é um problema só nosso".
A especulação e as múltiplas declarações desta segunda feira, parece estarem relacionadas com as pretensões da Alemanha e da França e com a reunião do Eurogrupo, a reunião dos ministros das finanças da zona euro, que tem lugar nesta terça feira, em Bruxelas.