Roménia defende "programa de integração europeu" para ciganos

19 de agosto 2010 - 17:17

Os primeiros voos de repatriamento de ciganos a viver em França com destino a Bucareste chegaram esta quinta-feira. O presidente da Roménia diz que o clima de perseguição em França prova a necessidade duma resposta europeia.

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O plano do governo francês já levou à destruição de 51 acampamentos ciganos. Foto philippe leroyer/Flickr

"A Roménia já tinha solicitado em 2008 a criação dum programa de integração de ciganos a nível europeu", lembrou o presidente Traian Basescu aos jornalistas. "A Comissão Europeia ficou encarregada até ao Conselho Europeu da primavera de 2009 de apresentar esse programa. Infelizmente depois houve Estados que consideraram que não era necessário", acrescentou, sem dizer de que países se tratavam.



O governo de Paris admite a expulsão de centenas de pessoas oriundas da Roménia e Bulgária nas próximas semanas, mas o ministro francês diz que estes repatriados não estão ligados aos campos de ciganos que a polícia desmantelou nas últimas semanas.



O plano do governo francês já levou à destruição de 51 acampamentos e tem sido alvo de críticas unânimes das organizações de direitos humanos e da própria comissária europeia da Justiça e Direitos Fundamentais, Viviane Reding.



O presidente da federação das associações ciganas em Portugal diz que as expulsões em França são "lamentáveis" e demonstram uma "atitude racista" por parte do presidente francês.



“É lamentável o que está a acontecer, e é triste porque se trata de uma perseguição a seres humanos. É mais lamentável porque Sarkozy não está a verificar caso a caso, está a fazer uma inclusão total dos ciganos em França, está a considerá-los a todos criminosos e indesejáveis, está a ter uma atitude racista e isso é bastante triste”, afirmou à Lusa António Pinto Nunes, presidente da Fecalp – Federação Calhim (cigana) Portuguesa.



António Nunes receia que a vaga de intolerância dos governos possa alastrar a outros países. “Pode haver uma onda anti-cigana, porque muita gente já não gosta dos ciganos e aproveitam estas situações e estas notícias degradantes que nada têm de bom, para nos poderem acusar e perseguir”, lamentou.