Portagens nas SCUT são caso de polícia

O Departamento de Investigação e Acção Penal está a investigar o negócio ruinoso entre o Estado e as concessionárias das SCUT para a introdução de portagens. Calcula-se que os cofres públicos tenham sido lesados em mais de dois mil milhões de euros só no que respeita a duas concessões à Mota Engil.
Com a introdução de portagens, as SCUT estão às moscas e o Estado paga o prejuízo da empresa. Foto Ascendi

A notícia divulgada esta quinta-feira pelo jornal Sol diz que a investigação do Ministério Público se debruça em particular sobre os compromissos negociados por Paulo Campos, secretário de Estado das Obras Públicas do Governo de José Sócrates, com a Ascendi, do grupo Motra-Engil, que detém a concessão  das SCUT da Costa da Prata, Beiras Litoral e Alta e Grande Porto. Para renegociar os contratos destas concessões, a empresa liderada pelo ex-ministro socialista Jorge Coelho exigiu também a revisão das rendas que recebe pelas estradas onde as portagens já eram pagas no Norte e na Grande Lisboa (A7, A11, A16, A36, A37, A30 e A40).

O negócio ditou uma conta pesada para os automobilistas, que à falta de alternativas passaram a pagar portagens, mas ainda mais pesada para todos os contribuintes, ou seja, justamente o contrário do que fora prometido como objetivo da introdução de portagens. Segundo a Direção Geral do Tesouro, até 2030 o Estado terá de entregar à Mota Engil 2.676 milhões de euros, enquanto as receitas de portagens estimadas na altura já eram de menos de metade desse valor. E não contavam ainda com o êxodo dos automobilistas, que desde a introdução das portagens se recusam a circular nas SCUT, causando quebras significativas no tráfego previsto.

Com este acordo entre o Estado e as concessionárias, os contribuintes estarão a pagar até 2030 pelo tráfego inexistente nas SCUT e pagarão ainda mais pela conservação das estradas alternativas, agora sujeitas a maior utilização. O Tribunal de Contas concluiu em maio do ano passado que a renegociação de contratos para introduzir portagens aumentou em 58 vezes os custos para os cofres públicos, compromenetndo-se com uma dívida superior a 10 mil milhões de euros.

Comentários

Submeter um novo comentário

A privacidade deste campo é garantida e o seu conteúdo não será exibido.

  • Web page addresses and e-mail addresses turn into links automatically.
  • Allowed HTML tags: <a> <em> <p> <br> <b> <strong> <cite> <code> <ul> <ol> <li> <dl> <dt> <dd> <img> <hr> <i> <border> <embed> <a href> <sup> <img style> <table> <tbody> <tr> <td><div><!--break-->
  • You may embed videos from the following providers . Just add the video URL to your textarea in the place where you would like the video to appear, i.e. http://www.youtube.com/watch?v=pw0jmvdh.
  • Lines and paragraphs break automatically.
  • Insert Flickr images: [flickr-photo:id=230452326,size=s] or [flickr-photoset:id=72157594262419167,size=m].
  • You may use <swf file="song.mp3"> to display Flash files inline
  • Add tooltips to text. Usage [tip:Text to highlight=The tooltip's content]

More information about formatting options

CAPTCHA
Esta questão é necessária para evitar a acção dos robots usados pelos spammers
Image CAPTCHA
Tenha em atenção as letras maiúsculas e minúsculas