Pablo Iglesias: “Acredito que a Marisa passe à segunda volta e dispute a presidência”

16 de janeiro 2016 - 17:10

Em conferência de imprensa este sábado, o líder do Podemos reafirma o seu apoio a Marisa Matias e comenta a situação política no Estado Espanhol.

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Foto de Paulete Matos

Pablo Iglesias começou a conferência de imprensa com uma declaração de apoio a Marisa Matias, uma “uma amiga com quem luto pela construção de um futuro alternativo ao desastre e à ineficácia, por uma Europa que defenda os direitos sociais e o estado social”. O líder do Podemos não tem dúvidas que “a Marisa vai passar à segunda volta e disputar a presidência do país”.

Sobre a situação no seu país, Pablo Iglesias lamentou que no Estado Espanhol não se tenha alcançado um acordo semelhante ao assinado em Portugal. Em Madrid, o principal entrave às negociações é o próprio Partido Socialista, o PSOE, que não tem uma postura clara. Descreve Pablo Iglesias como o PSOE afirmou publicamente estar contra o Partido Popular (PP), mas três dias depois assinou um acordo com o mesmo PP e com o partido de direita Ciudadanos, e entregou à direita a mesa do Congresso. Este acordo do PSOE com a direita pelo controlo da mesa do Congresso significa que a esquerda terá muita dificuldade em propor alterações legislativas. Um processo que poderia ser simples, com outra composição da mesa da assembleia, com este acordo será muito complicado. 

Para Pablo Iglesias, a solução deveria ser simples, “o futuro para não pactuar como PP passa por não pactuar com o PP”. O Podemos, garantiu o seu porta-voz, não vai permitir que governe o PP. “Nós não desejamos que haja novas eleições em Espanha, mas não vamos permitir nem ativa, nem passivamente, que o PP continue no governo em Espanha”. Neste momento, o Podemos vai continuar a trabalhar para que haja um entendimento com o PSOE que impeça ao PP continuar no poder, mas mantendo as suas reticências em relação ao comportamento do PSOE, “não vamos acreditar nos que diga o PSOE, mas no que faça o PSOE”.

Pablo Iglesias sublinhou ainda a sua concordância com o regime republicano de Portugal, afirmando que o modelo mais transparente de escolha de um chefe de Estado é que este seja eleito pelos cidadãos, o que, evidentemente, não acontece numa monarquia. Finalmente, sobre as acusações de falta de transparência no pagamento que recebeu de uma trabalho feito no passado para uma cadeia de televisão iraniana, Pablo Iglesias afirma que a transparência é fundamental para o Podemos e para si próprio. O Podemos é um partido que não só submete voluntariamente as suas contas a auditorias oficiais, como também o faz para auditorias independentes nacionais e internacionais. Para Iglesias, “todas as investigações são bem vindas, estamos desejando que se investigue, temos os bolsos de vidro e, se alguém entende que nos deve denunciar, estamos encantados que nos investiguem”.