ONU declara que aborto é um direito humano

02 de fevereiro 2016 - 11:26

Em 2001, uma jovem conhecida como K.L. foi impedida de interromper a gravidez por um hospital peruano após ter sido descoberto, às 14 semanas de gestação, que o feto sofria de uma malformação fatal.

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Foi a primeira vez que um comité dedicado aos direitos humanos da ONU responsabilizou um governo por não possibilitar um aborto a uma cidadã.


O feto nasceu sem parte do cérebro mas ainda assim a jovem foi obrigada a amamentá-lo durante dias, o que levou a que a rapariga ficasse com problemas graves em termos mentais e físicos.

O Comité dos Direitos Humanos das Nações Unidas acabou por concluir que os direitos da jovem foram violados e por isso esta vai receber uma indemnização do governo peruano.

Nigel Rodley daquela instituição das Nações Unidas afirmou a este propósito que “teria sido melhor se ela não tivesse tido de esperar uma década para obter a indemnização, mas o que é mais importante é que o mal que lhe foi feito foi formalmente reconhecido”.

A criança sofria de anencefalia e os médicos do hospital de Lima recomendaram que a jovem fizesse um aborto uma vez que era legal interromper a gravidez em situações como esta, mas o hospital acabou por recusar o procedimento, explicando que o governo não tinha definido em que momentos se deveria interromper a gravidez.

Em 2005, o Comité dos Direitos Humanos da ONU recebeu uma queixa relativa ao caso de K.L., tendo decidido a favor da jovem considerando que governo peruano deveria ser responsabilizado por ter infringido os direitos da jovem ao negar-lhe acesso a um aborto. Mas só este mês o Comité anunciou, em comunicado, que o governo do Peru aceitou finalmente indemnizar a mulher.

A queixa chegou às Nações Unidas através do Comité Latino-Americano e Caribenho pela Defesa dos Direitos das Mulheres, do Centro de Aconselhamento para a Defesa dos Direitos das Mulheres, e do Centro para os Direitos Reprodutivos.

Nancy Northrup, presidente do Centro para os Direitos Reprodutivos, sublinhou que, embora seja importante que K.L. seja finalmente indemnizada, o Peru tem muito trabalho a fazer com vista a  clarificar e a melhorar o acesso aos serviços de saúde reprodutiva no país.

Refira-se que foi a primeira vez que um comité dedicado aos direitos humanos da ONU, responsabilizou um governo por não possibilitar um aborto a uma cidadã.