"O Governo segue a vuvuzela e impõe mais medidas de austeridade"

16 de junho 2010 - 17:47

Para o líder parlamentar do Bloco de Esquerda, o PEC deixou de ser um documento e tornou-se num processo sem fim, de aumento de impostos, diminuição dos salários e dos direitos sociais. Governo não nega possibilidade de novas medidas de austeridade.

PARTILHAR
José Manuel Pureza durante a interpelação ao governo

Durante a interpelação ao governo agendada pelo Bloco de Esquerda sobre a evolução do PEC e a política orçamental, o líder parlamentar do Bloco de Esquerda, José Manuel Pureza, acusou o governo de seguir medidas de austeridade numa “espiral sem fim” atolando o país “numa década em que divergimos sempre das restantes economias europeias”. Apesar da insistência, os representantes do governo recusaram dar mais esclarecimentos sobre o futuro da política orçamental.

Na sua intervenção inicial ,Pureza salientou que as medidas exigidas vêm somar-se a sucessivos agravamentos do PEC original, “penalizando sempre mais e mais os portugueses com menores rendimentos”. O líder parlamentar do Bloco afirmou ainda que são os mercados que exigem o reforço da austeridade, aumentando os impostos e desvalorizando os salários, e que, por outro lado continua a penalizar as economias, como no caso da Grécia.

Pureza defendeu que o governo deveria assumir, perante o Parlamento e os portugueses, o que pretende fazer, e que está “na altura de serem reveladas as coordenadas do III PEC que, como já todos perceberam, está a ser preparado pelo Governo”. O líder do grupo parlamentar lembrou ainda que, ao contrário do que nos diz o Governo, não há inevitabilidades.

“O mesmo Governo que aumentou a taxa de IVA em 1%, para assegurar 500 milhões de euros, decidiu hipotecar 450 milhões de euros para salvar um pequeno banco de investimentos em acções de alto risco especulativo. Depois de Teixeira dos Santos sempre ter garantido, em resposta às perguntas do Bloco de Esquerda, que o dinheiro público não ia ser posto em causa, ficámos hoje a saber que nem um duvidoso passe mágico vai permitir reaver os 450 milhões que já moram na caixa-forte dos principais bancos nacionais.”

Leia aqui a intervenção de abertura de José Manuel Pureza

File attachments