O governo irlandês anunciou nesta quarta-feira um novo pacote de austeridade que inclui medidas “selváticas”, segundo a oposição.
O plano prevê a redução do salário mínimo (menos um euro, passa a ser 7,65 euros por hora), e o aumento do IVA, dos actuais 21% para 22% em 2013, até chegar aos 24% em 2014.
O governo pretende eliminar 24 mil postos de trabalho no sector público e cortar 2,8 mil milhões no orçamento da Segurança Social até 2014. O IRS terá as regras modificadas, de forma a que mais trabalhadores de baixos rendimentos passem a pagar o imposto. Os impostos sobre as empresas, porém – que são baixos – não sofrerão quaisquer alterações.
O primeiro-ministro irlandês, Brian Cowen, disse que espera que o plano "traga certezas para o nosso povo, para garantir que tenha esperanças no futuro".
O novo plano é uma consequência das exigências da União Europeia e do FMI para que o país receba fundos para injectar no falido sector bancário, que devem rondar os 85 mil milhões de euros.
Plano de Pobreza Nacional
“O governo não tem o direito de impor este plano selvático”, reagiu o líder parlamentar do Sinn Féin Dáil, Caoimhghín Ó Caoláin, denunciando que as medidas “vão forçar a massa do povo – e especialmente as pessoas de salários mais baixos, os reformados e pensionistas – a pagar pela traição económica cometida pelo governo do Fianna Fáil e dos Verdes”.
Para Ó Caoláin, “É um plano de pobreza nacional, não de recuperação nacional.” O Sinn Féin defende a dissolução do Dáil (parlamento) e a realização de eleições gerais.
“Nos últimos dois anos, o governo do Fianna Fáil e dos Verdes tirou da economia 14,5 mil milhões de euros em cortes de gastos e aumentos de impostos. Para onde foi este dinheiro? A recessão piorou. E no entanto, com este plano, querem tirar mais 25 mil milhões da economia até 2014”, denunciou Ó Caoláin.
Além disso, apontou o líder do Sinn Féin, o governo que decreta o plano é um governo que enganou e traiu o povo irlandês, como admitiram dois dos seus próprios ministros.
O Sinn Féin apelou aos outros partidos de oposição, o Fine Gael e o Trabalhista, a votarem contra o orçamento e a comprometerem-se a não aplicá-lo se forem para o governo.