Grupo Espírito Santo envolvido na organização da fuga ao fisco

O Ministério Público descobriu na "operação Furacão" um esquema de fraude aos cofres do Estado organizado pela Esger, uma consultora detida pelo BES e por Ricardo Salgado.
Ricardo Salgado, presidente do Banco Espírito Santo. Foto Andre Kosters/LUSA.
Ricardo Salgado, presidente do Banco Espírito Santo. Foto Andre Kosters/LUSA.

A investigação publicada na revista "Sábado" conta como estava organizado o esquema de fraude fiscal, com a criação de empresas e contas em paraísos fiscais e a simulação de vendas por parte das empresas que a Esger angariava. Uma delas, a Costa, Costa & Oliveira, uma empresa de calçado de Santa Maria da Feira, foi obrigada a pagar 500 mil euros de impostos para escapar à acusação de fraude fiscal qualificada.

Ainda segundo a "Sábado", este caso foi despachado pelo juiz Carlos Alexandre no passado dia 12 e o despacho aborda um dos elementos centrais da operação Furacão, o de quem promove os esquemas de fraude fiscal e branqueamento de capitais na economia portuguesa. É aqui que entra a Esger, que opera estes esquemas pelo menos desde 2000 e cujo sócio maioritário é o Banco Espírito Santo, cabendo fatias mais pequenas do capital ao Banco Internacional de Crédito, Ricardo Salgado ou José Manuel Espírito Santo Silva.

O despacho do juíz a que a revista teve acesso confirma que a Esger "disponibilizou a criação e utilização de entidades instrumentais" sedeadas no Reino Unido e na Irlanda, que terão sido "utilizadas para emitir facturas para um grande número de sociedades nacionais, dado tratarem-se de 'estruturas partilhadas' que eram controladas pelo promotor do esquema". Mas  "foram ainda usadas para simularem contratações de serviços à sociedade offshore Bedminster Trading, sedeada no Panamá e controlada pelo promotor da fraude, o arguido João Graça, com quem simularam acordos para o pagamento de aproximadamente 95% dos valores das comissões recebidas" das empresas aliciadas para o esquema fraudulento. João Graça é o principal administrador da consultora Esger, a empresa do grupo Espírito Santo que terá recebido entre 6 a 12% do montante global da fraude. E o seu nome está também envolvido noutro esquema semelhante, enquanto gestor da Glenway Holdings. A "Sábado" diz também que outra das empresa suspeitas de promover a fuga ao fisco e branquamento é a Planfin, ligada ao grupo BPN e ao seu ex-administrador Luís Caprichoso.

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