O jornal i publica esta quarta-feira uma investigação que teve acesso a relatos da reunião de 7 de novembro de 2013 do Conselho Superior do Grupo Espírito Santo, quando já surgiam rumores acerca da situação financeira precária do grupo. Neste órgão têm assento os cinco ramos da família e um dos temas levantados na reunião foi o das comissões recebidas no negócio dos submarinos adquiridos pelo governo de Durão Barroso e Paulo Portas.
O dinheiro da ESCOM ficou primeiro depositado num fundo no Brasil, gerido por uma sociedade registada nas Bahamas, e foi transferido através da Afrexport, uma sociedade detida pela Escom BVI e registada nas Ilhas Virgens Britânicas.
Segundo o i, terá sido Ricardo Salgado a levantar o assunto, invocando a necessidade de existir uma carta assinada pelos cinco ramos da família que legitimasse o valor transferido em 2004 pela Escom, dado que já corria a investigação que obrigou ao levantamento do sigilo bancário das contas na Suíça onde parte dessas comissões tinham sido depositadas. O dinheiro da Escom ficou primeiro depositado num fundo no Brasil, gerido por uma sociedade registada nas Bahamas, e foi transferido através da Afrexport, uma sociedade detida pela Escom BVI e registada nas Ilhas Virgens Britânicas.
Ainda segundo os mesmos relatos publicados no i, Salgado estava preocupado com o que aconteceria depois do arquivamento do processo judicial, quando fosse tornado público que pelo menos 3 membros do Conselho Superior - titulares das três contas visadas pela justiça - teriam ganho com o negócio dos submarinos. Por isso, a existência de uma carta a justificar o recebimento dessa verba por serviços prestados à ESCOM, assinada pelos cinco ramos da família, iria justificar a operação aos olhos do público. Foi essa a estratégia de defesa dos três membros da família apanhados pela justiça suíça, negando qualquer ligação do dinheiro a comissões dos submarinos e justificando a receita com "tarefas realizadas no âmbito do Conselho Superior do GES".