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Comunidade educativa convoca “Maré da Educação” para 2 de março

No próximo dia 2 de março, pais, alunos, pessoal não docente e professores promovem uma manifestação intitulada “Maré da Educação”, agendada para as 14h, em frente ao Ministério da Educação, na Av. 5 de Outubro, em Lisboa. A comunidade educativa junta-se em seguida à manifestação "Que se Lixe a Troika. O povo é que mais ordena".
Foto de Paulete Matos.

Na convocatória publicada no facebook, os promotores da iniciativa defendem que “sem Educação de qualidade não há país que sobreviva à crise” e frisam que “não foram os alunos, nem as famílias, nem os professores, os responsáveis pela dívida que aumenta todos os dias e cujo abuso dos juros anuais supera o orçamento para a Educação”.

“Disseram que a intervenção externa era para nos salvar…mas não há salvação possível quando se atacam os serviços públicos, quando se faz disparar o desemprego, quando se empobrece a escola pública”, adiantam.

Os 34 subscritores do documento lembram ainda que Portugal está muito atrasado no que respeita ao nível académico dos seus cidadãos: só 32% da população portuguesa tem o ensino secundário, “a taxa de licenciados continua muito baixa e somos dos países com as propinas mais elevadas da Europa”. “Investir nas pessoas é investir no país de forma responsável, mas tudo está a ser feito ao contrário”, criticam, lamentando que o governo, em “vez de investir no que pode levantar o país” ataque a Educação.

“O investimento neste sector desceu de 5,9% para 3,8% do PIB em dois anos, menos de metade da média do investimento nos países da OCDE”, lembram.

Os promotores da “Maré da Educação” acusam o governo de “subjugar o Ensino a uma lógica de mercado e não de conhecimento e cidadania”, procurando “criar uma educação para ricos e outra para pobres”.

“O ataque à escola pública faz-se sentir todos os dias”, avançam, exemplificando com o despedimento de dezenas de milhares de professores, o aumento do número de alunos por turma e o acréscimo do número de estudantes do ensino superior que não conseguem pagar as despesas associadas aos seus estudos.

Mas, “para o governo e para a troika isto ainda não é suficiente”, salientam, adiantando que o executivo ameaça “com mais horas de trabalho, com mais precariedade e despedimentos de professores, propinas ainda mais caras e desde o secundário”.

A manifestação “Que se Lixe a Troika – O povo é quem mais ordena” é “a ocasião para que toda a comunidade educativa se manifeste em unidade com todos os sectores da sociedade atacados pela política do actual governo”, defendem, convocando os “pais, alunos, pessoal não docente, professores e todos/as os que querem defender a escola pública para integrarem a Maré da Educação!”.

A convocatória do evento é subscrita 34 personalidades, entre as quais Belandina Vaz, professora contratada, João Mineiro, dirigente estudantil, Isabel Moura, professora contratada, Carlos Gomes, professor, membro da Plataforma pela Educação, Sara Schuh, estudante do ensino secundário, Paulo Guinote, professor e autor do blogue “A Educação do meu Umbigo”, Deolinda Martin, professora e dirigente do SPGL, Arlindo Ferreira, professor e autor do Blog DeAr Lindo, Inês Tavares, dirigente estudantil, António Avelãs, professor e presidente do SPGL, Laura Diogo, ativista do Artigo 74º, Sérgio Paiva, professor contratado, Beatriz Dias, professora e ativista do Movimento Escola Pública, Alexandre Pinto, professor contratado e Miguel Reis, professor desempregado.

No Porto, a comunidade educativa também está a organizar-se para a manifestação de dia 2 de março, tendo já sido proposta a realização de uma assembleia geral para preparar a mobilização da “Maré da Educação”, a ter lugar no dia 8 de fevereiro, pelas 21h, na JUP (Jornal Universitário do Porto - Rua Miguel Bombarda).

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