Numa entrevista ao semanário Expresso, Subir Lall afirmou que o que interessa ao FMI atualmente é “alterar os salários para refletir a produtividade”. O indiano chefe da missão do FMI para Portugal repetiu várias vezes a mesma ideia, afirmando que para isso é preciso “flexibilizar” mais o mercado de trabalho – leia-se, facilitar mais os despedimentos. E, para que não restem dúvidas, afirma: “A questão não é tanto despedir para as empresas se ajustarem, mas alterar os salários para refletir a produtividade”.
Recorde-se que as mais recentes estatísticas referentes ao terceiro trimestre do ano mostram que Portugal foi o país que registou a redução mais acentuada de salários e também de produtividade entre os países da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE). As remunerações por unidade produzida em Portugal caíram 1,4% . Mas, ao contrário do esquema “salários mais baixos = produtividade mais alta preconizado pelo FMI, a estatística mostra que a produtividade desceu também 1%.
Meta do défice não muda
Subir Lall afirma que a troika não admite fazer a revisão da meta do défice para 2014 depois do chumbo do Tribunal Constitucional à convergência das pensões, e afirma aguardar as medidas alternativas que o governo irá apresentar. Sem estas medidas, a décima avaliação do programa de assistência financeira fica em aberto, adverte.
Perguntado sobre a afirmação de Christine Lagarde que para o FMI é uma “questão de honra” admitir os erros, Subir Lall diz: “Erros... pode haver uma questão de tradução aí”.