CGTP regressa às manifs em junho

09 de maio 2012 - 22:44

No fim da reunião do Conselho Nacional da CGTP, Arménio Carlos anunciou manifestações para dia 9 de junho no Porto e dia 16 em Lisboa. A CGTP também criticou o Governo por não informar os parceiros sociais e os partidos acerca do Documento de Estratégia Orçamental que mandou para Bruxelas.

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Arménio Carlos diz que a luta social foi determinante no resultado das eleições gregas, que por sua vez mostram que "há alternativa" às políticas de austeridade..

Depois do 1º de Maio, a central sindical quer voltar a juntar milhares de pessoas num protesto "pelo aumento dos salários, pelo emprego, pelos serviços públicos, pela mudança das atuais políticas e contra o empobrecimento generalizado”, disse Arménio Carlos na conferência de imprensa. A CGTP escolheu dois sábados de junho para voltar a trazer o protesto às ruas, com "duas grandes manifestações nacionais" marcadas para dia 9, no Porto com a participação dos trabalhadores de Coimbra e distritos a norte, e uma semana depois, dia 16, em Lisboa, com trabalhadores de Leiria e dos distritos a sul.



Arménio Carlos apelou a todos para se envolverem no combate à alteração na legislação laboral, por não ser "uma questão que diga exclusivamente respeito aos trabalhadores", já que as consequências terão "imediatos efeitos negativos no rendimento das famílias portuguesas". E assinalou que "50 anos depois do operariado agrícola ter conquistado em plena época fascista, as oito horas de trabalho, os trabalhadores e as trabalhadoras portuguesas são confrontadas em pleno século XXI no ano 2012 com mais sete dias de trabalho gratuito".



"Há um ascenso de disponibilidade e também de indignação contra as medidas que estão a ser produzidas", declarou o sindicalista, que também se referiu às eleições francesas e gregas. "O Conselho Nacional considera que os povos destes países apresentaram um cartão encarnado às políticas de austeridade e de empobrecimento" na Europa, bem como "aos executores dessas políticas". Referindo-se em particular à Grécia, Arménio Carlos sublinhou que "a luta social foi determinante para alterar a relação de forças no plano político e partidário". "Aqueles que venceram as eleições devem assumir as suas responsabilidades, porque se não o fizerem estão a frustrar expectativas e a serem responsabilizados a brevíssimo prazo pela manutenção das políticas neoliberais" na Europa, acrescentou o líder da CGTP.



Ainda sobre as consequências do fim de semana eleitoral e a convocação duma cimeira europeia sobre crescimento e emprego, Arménio Carlos disse que resultados "mostram que há alternativas" e que "não há possibilidades de promover o crescimento e o emprego com a manutenção de políticas assentes na austeridade, nos sacrifícios e no empobrecimento generalizado da população".



Arménio Carlos criticou ainda o envio do Documento de Estratégia Orçamental para Bruxelas sem informar partidos e parceiros sociais. "Este Governo está a repetir os mesmos erros que o Governo anterior", disse Arménio Carlos aos jornalistas, lembrando a altura em que Sócrates fez o mesmo com o PEC. Para a CGTP, esta atitude revela "uma enorme falta de respeito pelos portugueses, pelos parceiros sociais e pelas instituições".



Nos próximos meses, a CGTP promete mais iniciativas para organizar jovens desempregados e os "trabalhadores-credores" - desempregados a quem ainda devem salários em atraso ou prestações de desemprego. Em junho e julho, a central sindical irá organizar três encontros de reflexão sobre segurança social, educação e saúde, convidando várias personalidades "para contribuir para a apresentação de propostas".