Uma delegação do Bloco de Esquerda, composta por Francisco Louçã, Luís Fazenda e José Manuel Pureza, foi recebida nesta terça feira pelo Presidente da República, no âmbito das consultas que Cavaco Silva decidiu fazer aos partidos políticos.
À saída, Francisco Louçã disse que o país “tem sofrido a crise de um desemprego enorme com tantos desempregados que não recebem subsídio” que as “respostas que têm sido apresentadas por uma governação bicéfala do programa de estabilidade e crescimento, aumento de impostos redução de salários (…) têm contribuído para transformar esta crise numa enorme crise social”.
Sobre o orçamento, o coordenador da comissão política do Bloco disse que o orçamento tem de “combater o desperdício”, que “ diminui a capacidade dos serviços públicos de responder na saúde, na educação, na segurança social” e tem de “trazer a certeza que as receitas fiscais são totalmente justas”.
Respondendo à pergunta se está disposto a viabilizar o Orçamento de Estado para 2011, Francisco Louçã afirmou que o Bloco apresentará propostas e se baterá contra o desemprego e a precariedade e em defesa do SNS.
Sobre a possibilidade de uma crise política, o coordenador da comissão política do Bloco afirmou:
“Faremos tudo para evitar essa crise política. Portugal não pode ter uma crise que agrave as condições das dificuldades orçamentais ou das dificuldades económicas ou sociais.”
Salientando que as propostas apresentadas pela OCDE e pelo ministro das Finanças (aumento de impostos, redução do subsídio de desemprego e redução dos apoios sociais) “são as medidas do FMI para Portugal”, Louçã afirmou que essas medidas “têm prejudicado a economia portuguesa” e que Portugal precisa de de uma “esquerda de confiança” que defenda justiça fiscal, “transparência nas contas”, “combate ao desperdício” e de uma política que defenda os serviços públicos e crie emprego.
O dirigente do Bloco de Esquerda salientou ainda que “o acordo Passos Coelho - José Sócrates é prejudicial à economia portuguesa” e que “Portugal tem ido por um caminho errado, esse caminho degrada a economia, atinge as pessoas e quem sente o medo da crise, que são todos os portugueses, tem de ter uma resposta de mobilização de esperança e de alternativa”.