O semanário Expresso revela que não há quem ponha dinheiro no banco fundado por Horácio Roque e que deu emprego e cobertura aos negócios de muitos políticos do bloco central e em especial do PSD/Madeira. O aumento de capital previsto para este mês, em que os acionistas do Banif se comprometeram a meter 450 milhões do seu bolso e dos seus parceiros, pode mesmo não se concretizar.
O plano de capitalização do Banif não está a ser visto com bons olhos em Bruxelas, com a Direção Geral da Concorrência da União Europeia a adiar o aval a esse plano gizado por Vítor Gaspar, Luís Amado e Jorge Tomé, responsável pela administração do banco. E sem luz verde de Bruxelas não há aumento de capital, ou seja, o banco não poderá cumprir o acordado: devolver este mês aos contribuintes a primeira tranche, de 150 milhões de euros, relativa à injeção de 1100 milhões de dinheiros públicos.
O Expresso repetiu ao ministro das Finanças as perguntas que muitos críticos desta decisão de resgatar o Banif já tinham feito, quando ele foi anunciado a poucas horas do fim do ano de 2012: se não forem encontrados novos acionistas, é o Estado que irá injetar mais 450 milhões nesse aumento de capital? Mais uma vez, não houve resposta de Vítor Gaspar.
Nas últimas semanas, a gestão do Banif (hoje controlado a 99,2% pelo Estado) foi duramente criticada quando se soube que tinha pago um prémio de mais de meio milhão de euros a uma administradora no Brasil, justamente um dos ramos do banco que mais tem contribuído para o prejuízo das contas do Banif.