Artistas juntam-se ao protesto cultural contra a troika

10 de outubro 2012 - 17:23

Vinte cidades já aderiram ao protesto "Que se Lixe a Troika" no dia 13 de outubro. "Um povo sem cultura é um povo vazio", disse Zé Pedro, guitarrista dos Xutos e Pontapés, na apresentação da iniciativa que em Lisboa vai decorrer na Praça de Espanha.

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Zé Pedro interveio na apresentação da manifestação cultural de 13 de outubro.

Em Lisboa, o protesto começará cerca das 17h com a atuação da Orquestra Sinfónica Portuguesa, que interpretará a quinta sinfonia de Beethoven, prosseguindo pela noite com atuações de nomes como Dead Combo, A Naifa, Camané, Peste e Sida, Diabo na Cruz, Janita Salomé, Coro "Acordai", Homens da Luta, Francisco Fanhais, The Soaked Lamb, Brigada Victor Jara e Farra Fanfarra, entre outros.



No Porto, a manifestação cultural realiza-se na Praça D. João I e conta com a participação dos Clã, Manuel Cruz, Nuno Prata, Helena Sarmento, Olive Tree Dance, entre muitos outros. E estão também agendados protestos culturais em Aveiro, Barcelos, Barreiro, Beja, Braga, Caldas da Rainha, Castelo Branco, Coimbra, Évora, Faro, Guarda, Lisboa, Loulé, Leiria, Portimão, Porto, Santarém, Setúbal, Viseu, Viana do Castelo e Vila Real.



"Vai ser a primeira reunião importante nesta fase das nossas vidas e na nossa cultura, que vai estar presente ali, concentrada, e a motivar e a sensibilizar as pessoas para este problema muito grave que é a destruição da cultura e a destruição dos apoios a essa própria cultura", disse Zé Pedro, dos Xutos & Pontapés, à agência Lusa.

João Camargo, um dos promotores desta manifestação, disse ao esquerda.net que o protesto de sábado "é a convergência de vontades do mundo da cultura com o sentimento de indignação da sociedade que não aceita este rumo de futuro". Trata-se "de uma iniciativa sem precedentes de todas as áreas do espetáculo com um cartaz muito forte", acrescenta o ativista da Associação Contra a Precariedade, concluindo que será muito difícil aos comentadores do sistema voltarem a tentar distorcer o sentido desta contestação. "A mensagem é muito clara: temos milhares de artistas em todo o país a dizer 'Que se Lixe a Troika" na sequência das manifestações de 15 de setembro e "saltámos agora para uma nova barreira de contestação, em que o povo se junta a toda a cultura e a cultura projeta o que é que o povo sente".



Na conferência de imprensa realizada no Jardim de Inverno do Teatro São Luiz, a atriz Luísa Ortigoso esclareceu que "isto não é um festival, não é uma mostra de artistas, é um protesto". Para além de músicos, estarão presentes agentes do cinema, produtores, realizadores, atores e técnicos. A realizadora Margarida Gil afirmou que os cortes orçamentais irão significar "o desaparecimento de uma cultura e de uma memória dos portugueses". "As pessoas estão no desespero, não há no horizonte nenhuma hipótese de trabalho e esta ameaça de rompimento com o balão de oxigénio que era a RTP vai agravar de uma forma inaudita", disse Margarida Gil.



Outra participação neste protesto será a da Comissão de trabalhadores da RTP. "A televisão está em casa de todos os portugueses e todos os portugueses sentem que a cultura está a sair do seu televisor de casa. O canal 2 está em extinção, porque ficou sem diretor, vai ficar sem orçamento, por isso vai tornar-se um canal sem relevância, apenas de tempos de antena da sociedade civil e isso não faz um canal", disse um dos representantes da CT da RTP, Camilo Azevedo.

Os promotores do protesto "Que se Lixe a Troika! Queremos as Nossas Vidas!" disponibilizam a lista de todas as iniciativas da manifestação cultural do próximo sábado em várias cidades portuguesas.