"O governo respondeu dizendo-nos que nem imaginamos o que vem por aí”, frisou o dirigente bloquista durante a festa de Inauguração da nova sede das concelhias do Bloco de Cascais e Oeiras. “Passos Coelho, Paulo Portas, Miguel Relvas, todo esse governo está reunido este domingo para discutir o Orçamento do Estado que já foi, aliás, aprovado em algumas das suas propostas pela Comissão Europeia”, lembrou Louçã.
“Nunca ninguém se atreveu em Portugal a fazer um aumento de impostos como este”, avançou o dirigente bloquista. “E depois muito mais virá, porque falaram-nos do IRS, de tirar um mês de salário às reformas e um mês de salário a todos os trabalhadores, de continuar a atacar os trabalhadores da Função Pública, e ainda não nos disseram quais vão ser os cortes enormes nos hospitais, nos medicamentos, na Escola Pública, na Segurança Social. Vem por aí. É o que eles estão a discutir agora”, vaticinou o deputado do Bloco de Esquerda.
O coordenador da Comissão Política do Bloco quis ainda chamar a atenção para “outro imposto de que se falou pouco - o aumento do IMI”, que vai ter um impacto profundo nos rendimentos das famílias.
“O salário e as pensões são sempre o alvo", adiantou Louçã, sublinhando que “é por isso que o Bloco apresentou uma Moção de Censura, para mostrar que era preciso voltar ao combate, levantar o país, dar corpo perante o primeiro ministro, que anda por aí tão fugido, desta vontade do 15 de setembro”. “E esse combate queremos fazê-lo com determinação, continuaremos a fazê-lo”, garantiu.
"O primeiro-ministro respondeu ao Presidente da República que sabe para onde vai. Se ele sabe para onde vai, sabe que com a 'troika' - tantas vezes com o beneplácito do Presidente que não pode sacudir a água do capote - Portugal está a ir no caminho da bancarrota", afirmou Francisco Louçã.
Referindo-se ao episódio da bandeira de Portugal hasteada ao contrário, o dirigente bloquista afirmou que “o 5 de outubro vingou-se de quem quis acabar com ele”, sendo que a bandeira de Portugal virada ao contrário tornou-se num símbolo “que nos disse a todos: ponham o país no sítio certo e deixem de aceitar que ele fique de pernas para o ar”.
“Alguém veio dizer que é preciso restabelecer o 5 de outubro. É verdade. Mas é preciso restabelecer muito mais. Porque há grandes dias que fazem a nossa vida”, advogou Louçã, adiantando que espera “que outro dia venha a marcar as nossas vidas: o dia em que conseguirmos correr com a troika”. “Esse dia nasce em todas estas lutas: na manifestação cultural na Praça de Espanha em Lisboa, marcada para 13 de outubro, e na Greve Geral que se espera ter caráter ibérico, a 14 de novembro”, rematou.