“Não é verdade que Portugal fica melhor se o povo estiver pior”

06 de outubro 2010 - 0:06

Francisco Louçã criticou o discurso de Sócrates nas comemorações do 5 de Outubro. Carvalho da Silva, secretário geral da CGTP, disse que as referências negativas do primeiro-ministro devem ser uma reflexão sobre o “tipo de governação que tem feito”.

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Cavaco Silva e José Sócrates nas comemorações do centenário da República - Foto de Mário Cruz/Lusa

Comentando a afirmação de Sócrates, nas comemorações do centenário da República, de que é nos momentos difíceis que se tomam as decisões mais complicadas, Francisco Louçã disse à agência Lusa: “Curiosa essa frase, vinda de quem ataca a economia nacional, aumenta o desemprego e baixa os salários. Não é verdade que Portugal fica melhor se o povo estiver pior”.

Posteriormente, após a inauguração da primeira sede do Bloco em Odivelas, Francisco Louçã acusou Cavaco Silva e Sócrates, PS e PSD de terem uma visão comum da economia que se traduz em orçamentos desastrosos.

Sobre o orçamento para 2011, o coordenador da comissão política do Bloco de Esquerda afirmou: “As linhas gerais do próximo orçamento anunciam o acentuar de um ataque aos salários, ao Estado Social e ao Serviço Nacional de Saúde, coisa que o PSD e o PS com o apoio do presidente têm vindo a defender”.

Louçã disse ainda que a Greve Geral, convocada pela CGTP para 24 de Novembro, terá um apoio “empenhadíssimo dos activistas do Bloco de Esquerda”: “Será um empenho empresa a empresa, freguesia a freguesia, concelho a concelho, para que possa ser uma greve muito representativa e mobilizadora”.

Também Carvalho da Silva criticou as intervenções de Cavaco Silva e José Sócrates nas comemorações do centenário da República.

Sobre a insistência de Cavaco Silva na necessidade de “responsabilidade de todos”, o secretário-geral da CGTP disse à agência Lusa que “há que descodificar o conceito de responsabilidade, porque senão teríamos uma responsabilidade sinónimo de submissão à situação presente e isso seria um desastre”. E acrescentou: “o acto de responsabilidade de um desempregado que procura trabalho mas não encontra” ou de “um jovem a quem só dão trabalho precário, tem que ser um acto de denúncia”, mas um acto de responsabilidade “de um empresário que acumula riqueza à custa destas limitações, já não pode ser esse: tem que ser o de distribuir alguma da riqueza acumulada indevidamente”.

À TSF, o secretário-geral da CGTP respondeu a Sócrates, dizendo que as referências à “inconsequência, irresponsabilidade, negativismo e irrealismo”, devem ser uma espécie de reflexão sobre o “tipo de governação que tem feito”.

Carvalho da Silva sublinhou ainda que “na situação actual, a primeira atitude de responsabilidade de uma pessoa que recebe apoios sociais e mínimos e que não tem outra protecção não pode deixar de ser reivindicar que melhorem um pouco a sua vida”.