Está aqui

Há quem ache que ser estivador é uma brincadeira

Acabar com a greve e proteger a economia é simples: basta o governo recuar na sua proposta aberrante de regresso às praças de jorna.

Como o deputado do CDS que queria fazer um concurso para ver quem carregava um contentor mais depressa. Caricaturas à parte, aqui ficam algumas notas do que me transmitiram os sindicatos de estivadores e trabalhadores portuários com quem reuni:

1. Os portos dão lucro (em 2011 entregaram aos cofres do Estado mais de 10 milhões de euros) e a sua atividade está a crescer; não há nenhum problema de competitividade dos portos.

2. O governo está a preparar uma alteração laboral que torna regra o trabalho eventual não qualificado e mantém um pequeno grupo de trabalhadores com direitos.

3. Com a proposta do governo o trabalho suplementar vai ser pago mais caro, porque passa a ser calculado à hora e não por turno; mas mais trabalhadores precários, a quem nunca se paga trabalho suplementar, serão explorados.

4. Os estivadores e trabalhadores dos portos em greve não querem ser um pequeno grupo de privilegiados num mundo de precários explorados e é por quem está excluído que estão a lutar.

6. Há portos em Portugal onde só há trabalhadores eventuais ou em que os precários representam mais de 70% do total dos trabalhadores.

7. Os estivadores não querem acumular trabalho suplementar, mesmo que ganhem mais com isso. Querem, como toda a gente, poder estar com a família e os amigos. E querem que sejam contratados mais trabalhadores, criando emprego. Não tem sentido tanta gente sem trabalho e estes trabalhadores fazerem turnos de 14, 20 e mais horas

8. Os salários dos estivadores não são tão atrativos como circula na net: ficam entre 550 e 1700 euros. Os salários sobem com o muito trabalho suplementar que é exigido a estes trabalhadores.

9. Para ser estivador e progredir na carreira é necessário ter o 12º ano, fazer exames médicos, psicotécnicos e vocacionais, e fazer formação específica, tão mais exigentes quanto a especificidade técnica dos equipamentos que operam.

10. A segurança no trabalho deixa muito a desejar e os acidentes de trabalho não são raros. Os trabalhadores precários não só têm mais acidentes, porque têm menos acesso a formação especializado, como, quando têm acidentes, são dispensados.

11. A greve dos estivadores é só ao trabalho para lá de um turno de 8 horas. Ou seja, fazem oito horas de turno todos os dias e ainda asseguram, no resto do dia (os portos trabalham dia e noite), os serviços mínimos. Esta greve é um problema para a economia porque os portos assentam na exploração destes trabalhadores.

12. Acabar com a greve e proteger a economia é simples: basta o governo recuar na sua proposta aberrante de regresso às praças de jorna.

Artigos relacionados: 

Sobre o/a autor(a)

Coordenadora do Bloco de Esquerda. Deputada. Atriz.

Comentários

um muito obrigado á senhora deputada Catarina Martins portudo o que escreveu aqui mas só isto não basta é preciso espalhar a palavra ,dizer as verdades na comonicação social alguem como você não só na comonicação social como tb detro do parlamento entre os deputados todos para eles proprios terem conhecimento da realidade pq muita gente fala sem saber ou por o que houve na comonicação social e ai é so mentiras as verdades são sempre omitidas e existe mais gente a dizer mal de nós que bem pq tem pouco conhecimento de causa ou pq irão lucrar com isso não sei??
mas aqui fica o meu agradecimento.

Cara Deputada,

Os seus argumentos não convencem e nota-se que nunca deve ter entrado num porto.
Só quem não conhece o jogo de interesses entre ETP's e Concessionários com ligações partidárias, ou melhor, financiadores partidários é que acredita no que escreve.

Para acabar com esta situação, basta abrir a concorrência nos portos, acabar com as ETP e com os actuais concessionários.
É este o problema desta Nação, grupos de interesse com poder para extorquir o País e não faltam partidos da esquerda à direita a protegê-los enquanto o Português sem lobby paga a factura.

Isso keriam voces,acabar com as ETP´s e liberalizar o sector ,enchendo-o de mao-de-obra barata precarizando-o para encheres ainda mais os bolsos,essa das "ligaçoes partidarias" é k me da muita vontade de rir.....deves de ter algum estivador entalado na garganta

O que vão a conseguir com essas greves é a falência das ETP's.
A de Aveiro já lá está, parabéns pela luta, resolveram o problema aos patrões!
E Leixões ? O que é feito deles? Será que são estivadores da direita ou souberam "explicar" as razões aos delegados sindicais ?

Também gostava de trabalhar numa empresa como a ETP, mas até à data nunca vi um anúncio de recrutamento e como também não tenho vitamina C no sector...olha azar...pertenço aos Portugueses de segunda, aqueles que não trabalham na Administração Pública nem na Estiva.
Graças às vossas lutas, somos cada vez menos para vos pagar os salários. Um dia destes estaremos todos (estivadores, Func. públicos, etc) na fila do desemprego, continuem, já falta pouco.

Eu quando não sei o que falo calo me que era o que tu devias fazer eu sou estivador e nunca recebi um tostão de dinheiros publicos porque trabalho para uma empresa privada, eu s´acho estranho é que toda a gente se sente indignada com a greve dos estivadores que apenas pretendem lutar por o seu posto de trabalho e pela criação de mais e nunca venho as pessoas deste País questionarem os altos ordenados mensais que pagam aos gestores de grandes empresas como a edp ou pt, etc...
Não falem do que não sabem e pensem no futuro dos nossos filhos.
Tenho orgulho em ser ESTIVADOR e defendo o que sou até ao fim....

É verdade, os estivadores nunca receberam dinheiros públicos, só a exclusividade pública de trabalhar nos portos. Um sector inteiro para os mesmos. Concorrência é que nunca, certo ?

Se quiseres questionar os altos ordenados, começa pela gestão dos concessionários portuários que te empregam (ETE e Mota-Engil) e dá uma espreitadela nos teus delegados sindicais. Em Leixões devem ter mudado de partido.

Um muito obrigado José, a si e a todos os estivadores em luta. Como trabalhador precário agradeço a todos os que, tendo direito à greve e ao protesto, o fazem para o bem de todos e para que não hajam mais precários. Muito obrigado por lutarem pelo nosso futuro!

Um abraço solidário!

As pessoas falam aquilo que a comunicação social transmite,mas gostaria de realçar que só faz greve quem esta a ser atacado nos seus direitos ,acho que os estivadores merecem respeito e dignidade,pois e um trabalho duro e como todo trabalho duro deve ser pago como tal,o estado tem que intervir como mediador pois a economia esta ameaçada devido a ganancia dos patrões que só veem lucro

é uma vergonha o que se está a promover com estas greves. é natural que os portos sejam competitivos se não existe concorrência, não existe competição alguma. todo o trabalho é meritório e merece respeito. mas 1700 euros mais suplementos para trabalhadores que nem o 12º ano têm, convenhamos que é um roubo aos cofres do estado vulgo, contribuintes. o BE e todos os que têm os seus direitos adquiridos como garantidos para o resto da vida estão a favor desta vergonha nacional pois custa ter que trabalhar a sério e estar sujeito a concorrência e a pressão. Ha tantos desempregados no país e estes só pensam em exigir melhores condições, melhores salários e mais garantias. Tudo na rua já!!!! o trabalho a quem quer trabalhar!

ou nao sabes lêr,ou tas de má fé e inveja,volta a ler o texto todo...e o estado nao poe ali dinheiro nenhum,a estiva é sector privado,e vergonha nacional é haver gente contra as formas de luta seja de que sector for,porque estes trabalhadores estao a fazer greve para preservar os seus postos de trabalho,mas, ja vi k tens algum empatado nesta greve.....

Caro Francisco, a clareza exige relações laborais decentes e não mais precariedade ou duas categorias de trabalhadores (com e sem direitos), como o governo pretende. Quanto ao argumento de que é necessária concorrência entre portos, lembro que os portos são um setor estratégico e são públicos em todo o mundo, com poucas excepções. Na Europa, apenas a Grã-Bretanha de Margaret Thatcher decidiu privatizar e o que aconteceu foi o abuso (Oligopólios) dos privados. Mas em Portugal as várias operações dos portos já estão concessionadas a privados. Em caricatura, temos uma PPP por cada máquina a operar. Isso, e o recurso massivo a trabalhadores eventuais (por ETP e mesmo contratação tipo praça de jorna), é que causa problemas.
Caro André, não terá lido o que escrevi (ou eu não soube explicar-me). O nível de salários que descreve exige 12º ano, 17 anos de carreira e formação especializada. E o que os trabalhadores pretendem é precisamente que mais gente tenha trabalho.

Cara Catarina,

Os Portos deverão ser sempre públicos e não para meia dúzia de "trabalhadores" e "concessionários" que os manipulam.
Se já existia contratação tipo praça de jorna (é verdade, existe há muitos anos com a conivência dos sindicatos), porque razão é que só estamos a assistir a estas greves depois do anúncio do novo regime?
Não serão os instituídos com receio de perderem o controlo sobre o sector e respectivas regalias?

Por falar em Oligopólios, comecem a combatê-los dentro da Assembleia da República. A vossa actuação é tudo menos exemplar.

Excelente texto da coordenadora do BE: curto, concreto, muito clarificador do que está em jogo na luta dos estivadores e na sanha do Governo e patronato contra eles. Fossem todos os artigo do esquerda.net assim e a página e o Bloco dariam um passo de gigante no alargamento da sua capacidade de atração e influência. Os comentários contra são tão mesquinhos que só mesmo de alguém que "deve ter algum estivador entalado na garganta". Ainda assim a Catarina Martins tem a abertura de responder seriamente e sem arrogância e até a humildade de admitir não se ter explicado bem.
Exemplar atitude. Não hesite em continuar por aí.

Boa noite. Um vez que há quem não goste de ser estivador, por mais árduo que o trabalho seja, eu prefiro ganhar os supostos 550€ do que não ganhar nenhum... já nem subsídio de desemprego tenho direito e se alguém souber como posso concorrer para estivador eu agradecia a informação.

Obrigado.

boas, não podes ou melhor podes concorrer mas não te aceitam... e se o fizerem tens "obrigatoriamente" que te inscrever num sidicato de esquerda e dizer amem aos meninos... é tipo uma familia ao modo da máfia€mafia, podes ser muito competente e ter milhentos cursos, estiva não e pra quem quer pelos vistos, é so para quem pode...

Ao contrário do que os sindicatos costumam reivindicar, desta vez incentivam e apoiam a realização de mais horas extraordinárias pelos estivadores. Segundo aquele artigo, alguns estivadores chegam a fazer 2000 horas de trabalho extraordinário por ano. O governo decidiu impor um limite de 200 horas extraordinárias por ano e os estivadores não concordam. Por isso param a economia portuguesa e decidem fazer greve para pressionarem o Governo a não tomar medidas que mexam com os atuais direitos. Já ninguém fala em constituição, nem no código do trabalho.

O artigo diz que os estivadores de Lisboa receberam, em média, em 2011, 3500 euros. O presidente dos sindicatos dos Estivadores do Centro e Sul advoga que o salário base varia entre os 1443,21€ e os 2326,06€. Leiam bem, salário base. Ninguém terá dúvidas de que, em média, os estivadores ganham muitíssimo mais do que os portugueses. Imaginem agora qual será a qualidade dos argumentos utilizados pelos sindicatos e trabalhadores para fazerem greve.

Adicionar novo comentário