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As cabras

No início do mês de Março, a Associação Académica da Beira Interior (AAUBI) lançou um vídeo promocional da sua Semana Académica, onde usa 42 segundos para mostrar uma cabra junto ao pavilhão dos concertos (ANIL), à qual se juntam 5 mulheres, de calções curtos e sem camisola, com garrafas de bebidas alcoólicas na mão e com o deprimente slogan: “Apanha a tua”. Acreditem que o vídeo consegue ser pior que a descrição.

Pouco tempo depois de ter tido a infelicidade de me ter cruzado com o vídeo, comentei publicamente que “quem acha que quanto mais as gerações avançam, mais as sociedades evoluem, ainda não deve ter visto a barbaridade e a misoginia deste vídeo promocional da Semana Académica da Universidade da Beira Interior”. O comentário causou polémica e um dos autores do vídeo dirigiu-se diretamente a mim com a elevação típica de quem está pouco habituado à crítica: “Apresento-te o senhor humor (…) A palavra misógino está mesmo na moda, não está? Mas já usámos mesmo nudez, masculina, gostaste mais desse?”. Como o conteúdo e a forma da resposta mostraram tamanha consistência e seriedade, abandonei o debate na rede social. A mesma pessoa enviou-me uma mensagem a desenvolver mais a sua argumentação. Cito, ipsis verbis: “… um video promocional nao obedece ao policamente correcto. Mas sim a um target. Ao mercado. E neste caso o mercado é feito de miúdas bebedas, com decotes grandes, que cravam shots na noite e um beijo por uma passa num charro. E o video resulta porque isso existe. Pelas várias leituras da palavra Cabra. E olha à tua volta. Tens amigas amigas assim. E amigos.”. Achei a argumentação tão emocionante, e vi tanta gente a defender o vídeo como se fosse a sua própria vida, que não poderia fazer a desfeita de responder ao debate.

O vídeo da AAUBI procura utilizar mediaticamente duas representações absolutamente idiotas: há mulheres que têm determinado tipo de práticas e comportamentos que fazem delas umas cabras; nas noites da Semana Académica, pelas seis da manhã, podes encontrar muitas destas cabras disponíveis para ti.

Comecemos pela primeira: que cabras são estas que o vídeo diz que uma pessoa pode “apanhar” nas noites da Semana Académica? Nas palavras de um dos autores do vídeo, são “miúdas bêbadas, com decotes grandes, que cravam shots na noite e um beijo por uma passa num charro”. A outra leitura que se fez nas redes sociais foi a de que as cabras são jovens universitárias bêbadas que nas festas estão disponíveis para serem engatadas. No essencial, a representação da mulher como cabra é pura e simplesmente a representação de uma mulher que invade com autonomia e sem dependências masculinas o espaço público da noite académica e à qual alguns homens associam traços de infâmia e falta de honra porque, aparentemente, vivem sem problemas em assumir e viver a sua sexualidade. Lamento desiludir as almas masculinas mais excitadas mas as mulheres não têm de se vestir, de agir e de beber a pensar nos vossos pénis.

Esta mulher-cabra é sobretudo um tipo ideal de sentido Weberiano e um elemento de alteridade. Isto é, pode classificar-se este tipo de mulher, a cabra, apenas na exata medida em que se lhe pode opôr outros tipos diferentes de mulher. Neste caso, existem cabras na exata medida em que a elas se opõe o tipo-ideal de mulher que é dócil e sensível, madura e ponderada, que não pede bebidas nem passas de charros a outros homens. De preferência, essa mulher deve ir para a festa acompanhada pelo namorado.

Mas o que é mais violento no vídeo não é apenas a completa absorção acrítica e irracional de ideias estereotipadas, ajudando a reproduzi-las na sociedade. O que é escandaloso para uma pessoa que preze o mínimo que seja a liberdade, é o slogan associado ao vídeo: “apanha a tua”. Não é apenas a ideia de que há mulheres que podem ser alvos de depreciação pelas bebidas que bebem, pelas roupas que vestem ou pelas pessoas com quem dormem. A ideia é ainda a de que um homem pode apanhar uma destas mulheres na noite, como se ela fosse objeto desintegrado de vontade e sob total ausência de livre-arbítrio. A ideia é a de que estas mulheres estão na festa àquela hora para serem apanhadas. A ideia é a de que estas mulheres só existem porque existe um predador sexual pronto para as caçar. Esta ideia é só desprezível.

Reservo este final para responder aos dois argumentos mais usados contra a crítica do vídeo. O primeiro é o de que o humor não pode ser censurado. Obedecendo ao mercado, o humor deve ter total liberdade. O segundo é o de que as mulheres do vídeo não foram obrigadas a participar. Quanto ao primeiro argumento, é simples. Apesar de não achar que aquele é um vídeo humorístico, considero que a liberdade que o humor deve ter só pode existir se houver também o direito a que esse humor possa ser alvo da crítica por quem entender fazê-lo. Quanto ao segundo, é ainda mais simples. O facto das mulheres que participaram no vídeo o terem feito voluntariamente não reduz em nada a crítica do vídeo. A crítica é ao que ele representa e não a quem nele participa, muito menos ao que se tem vestido.

No humor, como na vida, há sempre várias escolhas que se pode fazer. Quem escolheu fazer este vídeo desta forma optou por usar os mais básicos e hegemónicos estereótipos como ferramenta promocional. Foi uma escolha. Haveria outras.

Sobre o/a autor(a)

Sociólogo, investigador e ativista contra a precariedade na investigação

Comentários

Caro João Mineiro

Você vê como eles falam do "mercado". O mercado justifica tudo. O mercado é avesso a críticas. A crise é também cultural. Foi esta cultura que introduziu nas faculdades a musica pimba, e mantem a anticultura das praxes parvas. São as associações académicas que formatam os futuros homenzinhos do poder, os futuros Relvas; os escroques; os medíocres; os duxs; os imbecis que vão botar faladura nos congressos das jotas, e que vão chegar a secretários de estado num foguete;
Que diferença em relação aos tempos em que os estudantes tomavam a vanguarda da luta política, e faziam perguntas ao Tomaz, e enfrentavam a polícia. Dá que pensar como é que em democracia a população estudantil vive alienada, e o melhor que consegue dizer é que "gostos não se discutem". Se os gostos e os comportamentos não se discutissem, não haveria critica da arte, da literatura, não havia padrões de qualidade, e a musica pimba estaria ao nível de Mozart, ou de Lopes Graça. O poder tem contribuído para a proliferação destas doutrinas novas e "liberais". A doutrina do sucesso nos tempos aureos do cavaquismo deu uma ajudinha preciosa para a estupidificação nacional.
O poeta José Gomes Ferreira disse que a revolução mais difícil de levar á vitória era a cultural. E tinha razão.
Há um trabalho politico urgente a fazer no ensino. De lá sai muito boa gente. Mas o número de abortos vivos é preocupante. Veja-se a catrefa de comentadores arregimentados. E nem todos terão saído do ensino privado.

Saudações bloquistas
Paulo

Em pleno Dia do Estudante, pergunto-me se foi para isto que, em Coimbra, fiz/fizemos greve aos exames em 1969, rodeados de Polícia de Choque com os seus cães-polícia (devidamente treinados para atacar quem vestisse trajo negro - o uniforme estudantil), de GNR a cavalo e em carros rodeados por arame farpado, de agentes da PIDE (à paisana, claro!), com os telefones de casa interceptados pela PIDE e arriscando perder todo o trabalho de um ano lectivo... É triste, é muito triste!...

Isto nao era necessario.
Concordo com tudo o que o Joao disse. tem razão, so não gosto é que divulgue mensagens privadas que lhe foram enviadas e acho que essa falta de educação era dispensável. Teria razão na mesma, o video nao deixa de ser uma falta de respeito perante as mulheres, mas nao precisava de descer a esse nivel. Poderia perfeitamente responder ao debate em privado, ou na rede social, ou aqui, sem precisar de citar essa mensagem....

E qual o espanto? Quantos republicanos não foram para a forca em tempos de monarquia? E quantos democratas em tempos de republica? E quantos socialistas e anarquistas em tempos de democracia? A maioria tem sempre razão? Desde quando?

É impressionante como já se esqueceram do episódio do streep em plena praça pública no início do semestre passado. É de louvar estes argumentos mal fomentados em que o único fim é o mediatismo. Viva ao comentários dos jotas quando tu já foste um deles. Viva à esquerda que este bloco tanto mancha!

Parabéns João! Obrigada por esse texto!
Isso é sinal que há evolução humana e que ainda podemos ter esperança em uma sociedade menos machista, esperança que um dia a mulher não será usada como objeto sexual e teremos a tão sonhada "igualdade".

Mineiro, quando vi este video nem pensei nas raparigas e quanto ao titulo pensei, apanha a tua borracheira, como tal, e tu como sabes quantas vezes utilizamos vamos apanhar uma cabra hoje, vamos apanhar uma chiba hoje, opa.. são maneiras de olhar para as coisas, contudo e sendo esta uma pagina que tem como nome esquerda, e que são tão abertos a muitas realidades que outras pessoas não têm a capacidade de entender ou apenas porque a sua evolução social não se revê em certas ideologias. Acho que sendo um video promocional de uma semana académica está perfeitamente banal comparado com outras posições que deviam ser olhadas de outra forma e que nem sequer são faladas. contudo respeito a tua posição .. cumprimentos. Lopes

bem... eu vou lá apanhar a cabra. não necessariamente uma com pernas, mas é mais daquelas que nos fazem não as sentir. Em relação a hegemonia estereotipada... digam-me de q q é feito o humor (exmplo: último a sair em que personagens como a gorda iam gozar consigo próprios, cujo o argumentista é um dos maiores autores de humor inteligente do país)? (são livres de ter preferências relativamente a diferentes tipos de humor e da achar piada ao que bem entenderem ou até de não rir com nada) quem nunca riu com uma piada sobre loiras e quantas loiras o fizeram? O humor recorrentemente recorre a 3 recursos... estereótipos como caracterização, hiperbolização do ridículo e adequação a um público alvo. Exemplos de humor popular em que se verifica a tal "hegemonia estereotipada: (piadas sobre) políticos, pretos, loiras, gordos, serranos. E acrescento que excepto os políticos qualquer individuo que se englobe num destes estereótipos não tem responsabilidade moral por pertencer a ele (são-lhe características inatas). Qualquer mulher que se sinta "ofendida" na qualidade de cabra tem responsabilidade moral por pertencer a esse estereotipo, logo não se deve sentir ofendida. Penso que essa perspectiva conservadora fica muito mal a um dirigente de um movimento social ("de esquerda"). E se em parte reconheço o teor propositado da cronica em questão também lhe reconheço o excesso de pejoração. Creio q a única crítica razoável feita no texto acima foi mesmo à péssima e incauta argumentação dos órgãos da AAUBI (isto se ela não foi distorcida e mal interpretada de conto para conto).

Caro Paulo,

Obrigado pelo comentário. É como diz: as universidades têm perdido o espírito crítico e combativo que nelas vimos durante tanto. Mas essa perda não se tem feito sem a resistência de estudantes, professores e funcionários que constroem todos os dias a luta pela democracia no ensino. É essa caminhada que teremos de continuar.

Um abraço,

João Mineiro

Boa noite a todos,
Depois de uma leitura atenta, não posso de maneira nenhuma deixar passar isto ao lado.
Quero alertar o autor para a sua falta de conhecimento em relação aos possíveis significados da palavra ''cabra''.
Que neste vídeo se refere ao estado de ''pré-coma alcoólico'', ao estado de ''bebedeira''.

Em relação ao uso de raparigas semi-nuas, bem isso como 99% dos anúncios, é mera publicidade.
Ou seja, anúncios com mulheres atraentes vendem mais. Simples.

Por isso, não vejo a razão da sua indignação nem muito menos para a publicação deste artigo de opinião.
Concentre-se mais no seu partido e deixe as pontes entre a política e o ensino superior para os verdadeiros comentadores formados numa instituição publica.

Por fim, quero o convidar a deslocar-se à Semana Académica da UBI para comprovar esta sua opinião.

Att. Sérgio

João, parabéns pela análise, achei óptima.
Pena é que ao nível institucional a UBI ainda não tenha feito (pelo que me é dado a saber) qualquer tipo de declaração sobre o conteúdo lamentável do vídeo ou emitido um comunicado em que fique expressa a posição desta instituição relativamente a este trabalho em concreto da AAUBI. (Poderá isto ser mais um reflexo do paroquialismo característico de muitos - não todos! - os que ocupam os altos cargos da Universidade?)

Entre o vídeo e o seu texto (mal escrito e com as péssimas duas representações que você ainda conseguiu dar à coisa), venha o diabo e escolha. Não gostei nem gosto do vídeo mas o primeiro impacto foi achar que a cabra, não era nenhuma mulher mas sim a bebedeira que eles avizinhavam para os seus convidados nessa semana académica. Depois você expõe-nos o conceito por detrás da campanha (asqueroso de facto) e vai mais além com todo este seu texto e as "representações" que deu. Enfim: venha o diabo e escolha.

Caro sociólogo, penso que quer a sua interpretação do vídeo, quer as suas conclusões são de muito mau tom e com um ligeiro toque quer de preconceito, quer de maldade.

Vi o vídeo antes de ler o texto, e fiz uma outra interpretação...
Entre estudantes utiliza-se bastante a expressão" apanhar uma cadela" referindo-nos a sair a noite e beber uns copos.

O que os alunos que promoveram este video fizeram, foi transformar a "cadela" em "cabra" no sentido de lhe dar um toque mais serrano ( possível referência à Serra da Estrela e aos seus rebanhos).

Penso que não se trata aqui de classificar quem quer que seja. O video em nada é ofensivo, nem das mulheres, nem dos seus hábitos.

Tirou conclusões precipitadas em defesa da ciência que estuda!!! Devia ter mais moderação com relação aos seus julgamentos e comentários.

Boa tarde, em relação a esta interpretação só posso dizer que afinal há pessoas que não entendem o significado das coisas, e para alguém do bloco o sr é muito limitado, visto que o bloco é um partido que defende a liberização de muita coisa!!!
No meu ponto de vista eu entendo este vídeo como apanhar a cabra e as mulheres em topless num sentido de vem e diverte-te sem problemas ou preconceitos com os teus amigos, afinal isto até se trata de uma Semana Académica, e acho q é o q se tenta atingir com este vídeo!!!! Tenho dito!!!
Agradeço que não censurem este post...como muito se faz na blogoesfera!!!

ahm... "apanhar a cabra" é apanhar uma bebedeira... e é claramente a isso que se referem. Não deixa de ser um péssimo trabalho a vários níveis, mas ainda assim, não me parece que insultar as mulheres fosse o gesto do vídeo.

Como Covilhanense que sou e orgulhoso da terra que me viu nascer e que tantas lutas viu sinto-me imensamente triste por um lado e por outro contente. triste porque nao pensava que isto pudesse existir no seculo xxi muito menos na minha cidade e contente porque não precisei de ir para uma universidade para aprender valores importantes a vida ensinou-mos epor isso tenho que sentir desprezo por atitudes destas que mais que se justifiquem não tem a minima justificaçaõ

Bem dito, e bem escrito.

No entanto, no meu ver, talvez o verdadeiro significado deste video assenta na associação que é feita entre "Cabra" e "bebedeira". Quem nunca ouviu já a expressão "apanhei uma cabra", ou "está com uma cabra", fazendo a analogia entre estas duas palavras passando a ideia que estar com uma cabra é estar com uma bebedeira. Ora portanto, tratando-se de uma semana académica, onde é por demais conhecidos os excessos alcoólicos, talvez a semelhança entre o video e a mensagem que se pretende passar seja muito sintética. No entanto, desprezo completamente a forma como foi alcançado, apenas com mulheres, e não envolvendo os dois tipos de géneros que seria o mais apropriado.

Outra coisa é tentar tirar deste video um ideal machista. Sem dúvida. No entanto, prefiro vê-lo pelo marketing agressivo que apresenta e não por aquilo que os outros teimam em apenas "conseguir" ver.

Sou estudante da UBI há 5 anos e entristece-me que haja meia dúzia de pacóvios que consigam ter ideias merdosas o suficiente para denegrir a imagem da nossa universidade. Não foi apenas a utilização da cabra como mulher e vice versa que me fez odiar o vídeo e quem o produziu, mas também a ideia que os próprios alunos da UBI estão a transmitir a todos os outros que desconhecem a Covilhã - fazem sentir que a Covilhã é uma aldeia, com uns quantos montes com erva, e pastores a passear o seu gado pelo meio da universidade, toda coberta de branco. Isso angustia-me até ao estômago - o facto de sermos nós, ubianos, os primeiros a rebaixar a universidade e, no geral, a Covilhã. Pois bem, saibam que a Covilhã tem "patamares", não tem montes; tem uma paisagem montanhosa linda da Serra da Estrela (essa sim, por vezes coberta de branco); NÃO NEVA na Covilhã, apenas faz frio e vento quando tem de ser (e calor infernal quando tem de ser também); pastores?, nunca conheci nenhum. Quanto à UBI em si? Não é perfeita, não. Mas as vossas universidades também não são. E noto um imenso esforço, de ano para ano, para a melhoria dos cursos, onde os alunos também são ouvidos e tidos em conta. Não podemos pedir mais. Há que dar tempo ao tempo. Quanto aos cartazes? Faz-se o que se pode, claro... Talvez a gestão dos recursos disponíveis pela AAUBI não tenha sido das melhores, no entanto, é com os erros que se aprende.
Compara-se com Coimbra? Não, claro! São coisas completamente distintas - Coimbra foi a primeira universidade do país, está carregada de tradição e tem, assim, um avanço temporal inestimável que lhe permitiu aperfeiçoar tudo desde a universidade, aos cursos, ao ambiente estudantil. Mas ser aluno na Covilhã não é pior que ser aluno em Coimbra. É apenas diferente.
A UBI é ainda uma criança comparada com algumas outras universidades do país, ainda está a aprender a falar. :) Mas é uma criança adorável. ;)
P.S.: Quanto ao ser mulher e ir à semana académica? Concordo com tudo o que dizes no teu texto, não mudava uma linha. E já agora, tenciono, se o estudo me deixar, curtir algumas noites até às horas que me apetecer, de preferência com o meu namorado. Ou não tenho o direito de me divertir onde, quando e com quem quero? ;)

Olá,

Junto algumas respostas às críticas e comentário que colocam e que agradeço sinceramente.

Cara Graça,

As universidades, quer nos anos 60 como refere, quer nos anos recentes serem foram espaços contraditórios onde podemos assistir aos exemplos mais conservadores, mas também onde podemos assistir aos exemplos de maior liberdade e crítica. Veja por exemplo o que este mesmo ano outra Associação de Estudantes organizou: https://www.facebook.com/events/963021940382326/.

Caro Artur Silva,

Agradeço a sua crítica. Foi uma escolha certamente discutível. Mas tendo em conta que houve mais autores e responsáveis pelo vídeo, eu optei por citar a justificação que me foi dada sem citar o nome do autor em causa. Não me parece falta de educação na medida em que o próprio autor justifica-se publicamente com esses argumentos e aquela justificação só e foi enviada por mensagem porque bloqueei o autor de acede ao meu mural. O que seria deselegante seria não citar as justificações dos autores no debate sobre o vídeo ou citar o nome da pessoa em causa. Mas aceito a sua crítica. Acho que legitima.

Caro Lopes, Vasco, Sérgio Paulo, Ana, Ema Alves, FLA e Marco Gonçalves,

Junto os vossos comentários porque ambos se centram no mesmo argumento: “cabra” referia-se a uma bebedeira e não a uma mulher. É óbvio que os autores o que tentam é associar mutuamente o significado de cabra/bebedeira ao de cabra com um significado de género. É por isso que o autor do vídeo diz que “neste caso o mercado é feito de miúdas bebedas, com decotes grandes, que cravam shots na noite e um beijo por uma passa num charro. E o video resulta porque isso existe. Pelas várias leituras da palavra Cabra.”. Não vale a pena nós fingirmos que o vídeo apenas usava o significado de cabra associado a bebedeira ou fingirmos até que as mulheres colocadas no vídeo com pouca roupa junto à cabra não estavam lá. Estavam sim e com um objetivo claro, com aliás o autor do vídeo revela com total honestidade.

Caro Bruno,

Acha mesmo normal e razoável que se usem cinco mulheres em topless como motivo de atração e diversão da Semana Académica? Eu não acho.

Caro Sérgio Paulo,

Como refere “em relação ao uso de raparigas semi-nuas, bem isso como 99% dos anúncios, é mera publicidade. Ou seja, anúncios com mulheres atraentes vendem mais. Simples.”.
Esse é o problema. É ainda haver gente na academia que acha que usar raparigas semi-nuas para publicidade é normal, simples e aceitável porque “vendem mais”. Como percebe, tenho uma opinião diametralmente oposta a essa.
Agradeço o convide para visitar a Semana Académica. Já fui a várias aí na Covilhã e ainda não foi por isso que perdi o espírito crítico.

Um abraço a todos/as,
João Mineiro

bem. penso que a minha apreciação não foi avaliada ou com a devida atenção ou com a devida compreensão. a minha argumentação foi feita com base na ambiguidade do significado da cabra. No entanto creio que qualquer discussão inerente a crítica que lhe dá origem não se poderá afirmar mais do que um mero debate de realidades subjectivas. o conservadorismo da crítica por si feita é evidente e não fica bem, como referi, num movimento bloquista, mas como bloquistas que são também devem preservar a integridade moral de todo e qualquer cidadão (mulheres no caso) portanto creio que o seu texto tem tanto de oportuno e social, como de abusivo e conservador (pela primeira vez compreendo um paradoxo no socialismo puro ou no comunismo, pode tornar-se uma faca de dois gumes). Enfim... o problema de cada debate é q é sempre susceptível de uma opinião subjectiva, ou seja, não existe uma razão absoluta havendo sempre um carácter válido em cada uma possível.

esta visto que o charlie hebdo e o joao mineiro nao combinam...
Este joao mineiro so sabe criticar. critica tudo o que mexe sem ser capaz de ter uma unica critica construtiva. faz-me lembrar o hitler antes de subir ao poder.

Caro Bruno,

A pessoa em causa não é meu amigo, nem sequer conhecido. O nome da pessoa em nenhum momento é citado e a mensagem que me foi enviada corresponde exactamente às opiniões públicas da pessoa em causa. A mensagem só não foi colocada no meu mural de facebook, porque a pessoa em causa não têm acesso a ele. Não divulguei uma mensagem privada. Divulguei uma mensagem que o autor queria que fosse pública. E ainda tive a delicadeza de não citar o nome.

Caro Ricardo Gonçalves,

Não deve ter lido bem o que escrevi. Transcrevo integralmente para que não restem dúvidas: "... considero que a liberdade que o humor deve ter só pode existir se houver também o direito a que esse humor possa ser alvo da crítica por quem entender fazê-lo".

E Ricardo, se quiser saber mais sobre as minhas iniciativas construtivas, elas estão documentadas. Foram três anos de participação na Direção de uma Associação de Estudantes onde tive oportunidade de organizar diversas iniciativas sobre igualdade de género. Iniciativas cujo espírito se mantém até hoje. Como pode comprovar: https://www.facebook.com/events/963021940382326/

Cara Ana,

Não. Não é a minha própria opinião. Mas obrigado pela questão.

Um abraço,

João Mineiro

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