“Ouçam [a minha música], tentem compreender, gostar, partilhar”, disse o pianista e compositor Bernardo Sassetti, numa das suas últimas entrevistas. Falecido estúpida e prematuramente aos 41 anos, que melhor homenagem fazer-lhe que não seja ouvir e compreender a sua música? Neste dossier, procuramos traçar um percurso musical, baseado nas palavras do próprio Sassetti, em entrevistas e textos da sua autoria, acompanhados de links para vídeos que permitem ver apresentações e ouvir a música. Dossier de Luis Leiria.
Bernardo Sassetti
Lead:
“Ouçam [a minha música], tentem compreender, gostar, partilhar”, disse o pianista e compositor Bernardo Sassetti, numa das suas últimas entrevistas. Falecido estúpida e prematuramente aos 41 anos, que melhor homenagem fazer-lhe que não seja ouvir e compreender a sua música? Neste dossier, procuramos traçar um percurso musical, baseado nas palavras do próprio Sassetti, em entrevistas e textos da sua autoria, acompanhados de links para vídeos que permitem ver apresentações e ouvir a música. Dossier de Luis Leiria.
Começamos com uma entrevista a Carlos Barreto e Alexandre Frazão, que durante 15 anos integraram o trio de Sassetti. Seguem-se a auto-definição: Quem é, e extratos de um texto de Sassetti sobre a influência que nele teve a música de Bill Evans, que lhe fez despertar a paixão pelo jazz. Em seguida, os primeiros CDs, o trio que o acompanhou durante 14 anos, o duo com o Mário Laginha, os concertos a três pianos com Laginha e Pedro Burmester. Outra faceta de Bernerdo Sassetti foi a composição para cinema, de que destacamos “Alice”, e finalmente como o pianista chegou ao estado Alfa. Destaque também para a edição especial de Os Cantos da Casa.
Resto do dossier:
Carlos Barreto (contrabaixo) e Alexandre Frazão (bateria), integrantes do trio de Bernardo Sassetti durante quase 15 anos, evocam o pianista falecido prematuramente e homenageiam a pessoa séria, bem humorada, competente e multifacetada.
Um terrestre à procura de qualquer coisa, sobretudo na música, que ainda não sabe muito bem o que é.
Em 1983, Sassetti estudava no Passos Manuel, tinha aulas particulares de piano e solfejo e um gosto especial pela música clássica. Um programa da RTP2, Jazz Magazine, que exibiu um concerto do pianista Bill Evans, fê-lo abraçar o Jazz.
Devia ser considerado um adolescente diferente, não especial, mas diferente, já que, em vez de ouvir os sons da época, passava as horas ligado a Duke Ellington e a Thelonius Monk.
“A música que faço não se dá bem com a lógica de uma multinacional que, onde aposta, tem que ver de imediato garantias de vendas muito rápidas.”
O Carlos Barretto e o Alexandre Frazão fazem parte da minha vida de uma forma magnífica. Eles são uma inspiração.
“A empatia que partilho com o Mário, de concerto a concerto, tem sido muito enriquecedora para mim.”
"O Bernardo é um grande impulsionador de um lado caótico.” Bernardo Sassetti veste uma expressão mais interrogativa que surpreendida, e todos se riem.
“A meu ver, o som deste filme representa o silêncio interior de um pai vs. o som agressivo que o rodeia diariamente na cidade de Lisboa.”
"Uma vez até atingi aquilo de que muitos músicos já me falaram, que é o estado Alfa … é um estado em que já não se sente o próprio corpo. Está-se a fazer, sabe-se o que se está a fazer, mas já não se sente o corpo, perde-se a noção de estar ali."
Comentários
"A música, o piano e o músico passam a ser apenas um no momento...."
Que bonita homenagem! Obrigada pela ideia e pela partilha.
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