Bloco defende prescrição de medicamentos por princípio activo

10 de abril 2009 - 2:33
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Bloco de Esquerda desafiou o governo a ouvir Arnaut sobre a prescrição de medicamentosO Bloco de Esquerda defende que os medicamentos sejam prescritos por princípio activo e que o doente possa decidir em caso de medicação equivalente. Francisco Louçã e João Semedo desafiaram ainda o Governo a ouvir a palavra do fundador do Serviço Nacional de Saúde, António Arnaut, sobre a matéria e criticaram o Governo por seguir uma política de enorme facilidade em relação à constituição de interesses económicos contra os interesses do próprio doente.

Os deputados do Bloco de Esquerda Francisco Louçã e João Semedo reuniram nesta Quarta Feira com a bastonária da Ordem dos Farmacêuticos.

No final da audiência, Francisco Louçã em declarações à agência Lusa considerou que até agora "tem havido duas grandes pressões, a indústria pretende que os médicos receitem medicamentos de marca que são os mais lucrativos e a Associação Nacional de Farmácias (ANF) que começou a partir de Fevereiro a ter autorização para produzir e vender genéricos quis colocá-los dentro de uma operação comercial nas farmácias".

"Nenhuma destas pressões respeita o utente do serviço de saúde e o doente e por isso eu desafiava o Governo a ouvir a palavra de António Arnaut, o fundador do SNS, que com toda a sensatez disse que é preciso que seja o doente a decidir, desde que os medicamentos que estejam colocados à sua disposição sejam certificados por qualidade terapêutica, e portanto havendo prescrição por substância activa, pela molécula, o doente deve ter a palavra decisiva sobre a escolha de medicamentos terapeuticamente equivalentes e não o mercado", acrescentou o dirigente bloquista.

Louçã lembrou ainda que a prescrição por princípio activo já existiu em Portugal, mas foi anulada pelo governo PSD/CDS e agora o governo Sócrates "manteve a confusão que permite este jogo comercial inaceitável".

João Semedo disse ainda à TSF que "o Governo tem de legislar no sentido de impedir a criação de um monopólio" no sector da saúde, referindo-se à Associação Nacional de Farmácias e ao grupo José de Mello Saúde, que dispõem de uma fábrica de genéricos, "a distribuidora mais importante do país", farmácias, hospitais privados e a gestão de hospitais públicos.

Semedo espera ainda que o PS no parlamento permita a audiência à ministra da Saúde, pedida pelo Bloco de Esquerda no passado dia 3 de Abril.

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