O vídeo foi colocado no canal do PSD no Youtube e é uma reportagem sobre a presença de Nilza de Sena, Vice-Presidente da Comissão Política Nacional do PSD, no Jantar de Reis da Comissão Política de Coruche, Santarém, no dia 5 de janeiro de 2013. A dado ponto do discurso, a dirigente do PSD procura convencer os militantes que a realidade fora daquele restaurante não é a que toda a gente sente, com a dívida a disparar, a meta do défice ultrapassada, as previsões para o desemprego desmentidas todos os trimestres, ou a recessão da economia que afinal será mais do dobro do que o Governo prometeu no Orçamento para 2013.
No seu discurso, a vice-presidente do PSD esquece os indicadores económicos oficiais - do próprio Governo, do Banco de Portugal ou do Eurostat - enquanto tenta explicar uma versão fantasiosa da realidade aos comensais, sempre filmados com ar cabisbaixo e pouco animados com aquela análise.
O fervor da dirigente e deputada laranja na defesa da austeridade vai ao ponto de afirmar que "hoje é possível dizer que já há resultados, que diminuímos a dívida pública e que cumprimos as metas que nos propusemos". Uma mentira em toda a linha, como comprovam todos os dados conhecidos na altura, a começar pelos do Governo.
A trajetória da dívida pública desde que Passos Coelho tomou posse tem sido sempre a subir e só em 2012 aumentou 51 milhões de euros por dia. Ao todo, a dívida quebrou a fasquia simbólica dos 200 mil milhões - é de 203,4 mil milhões, divulgou esta semana o Banco de Portugal" -, falhando assim mais uma meta do Governo acordada com a troika: em vez de 120% do Produto Interno Bruto, a dívida ascende hoje a 122,5% do PIB.
Recorde-se que um dos argumentos usados pelo PSD na campanha eleitoral de 2011 era que as propostas da oposição à troika fariam disparar a dívida, ao contrário das do Governo, que supostamente a iria pagar e diminuir o montante. Ano e meio depois, o país está muito mais endividado e com um desemprego que já atinge um em cada dois jovens trabalhadores, uma carga fiscal insuportável para reformados e trabalhadores e uma vaga de emigração só comparável à dos anos 60 para escapar à miséria e à guerra.