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Venezuela: Maduro convoca Assembleia Constituinte não eleita

A Assembleia convocada por Maduro, não será eleita e “não será de partidos”. É largamente contestada e considerada como “um golpe de Estado contra a Constituição de 1999”. Ministro da Defesa apoia a convocatória e diz que Forças Armadas também.
Nicolás Maduro diz que Assembleia Constituinte não será eleita e “não será de partidos”
Nicolás Maduro diz que Assembleia Constituinte não será eleita e “não será de partidos”

uma Constituinte cidadã, não uma Constituinte de partidos”

Nesta segunda-feira, 1 de Maio, o presidente da Venezuela anunciou a convocação de uma Assembleia Constituinte, que não será eleita, nem respeitará o parlamento, nem os partidos. O atual presidente da Venezuela diz que fez esta convocatória com o objetivo de “preservar a Paz e a estabilidade da República”.

"Convoco uma Constituinte cidadã, não uma Constituinte de partidos nem de elites. Uma Constituinte cidadã, operária, comunal, camponesa, feminista, da juventude, dos estudantes e indígena, mas sobretudo profundamente operária, decisivamente operária, profundamente comunal", afirmou Nicolás Maduro, no seu discurso do 1º de Maio.

Para dirigir o processo “constitucional”, Maduro criou um Conselho Presidencial com 11 pessoas, presidido por Elías Jaua, atual ministro da Educação.

O ministro da Defesa, Vladimir Padriño, declarou que a convocação anunciada por Maduro “é uma proposta revolucionária e profundamente democrática” e frisou que as Forças Armadas a apoiam.

Assembleia Constituinte não eleita

Esta convocação de uma Assembeia Constituinte, feita por Nicolás Maduro, que tem apenas o apoio do governo e do PSUV, sem ser eleita, sem ter a participação de partidos, ao contrário de cumprir os objetivos anunciados por Maduro, consolida a divisão, aprofunda a disputa violenta, é uma ameaça à democracia  e é uma forma de dar um”aspeto democrático” à constante violação da Constituição de 1999, por parte do presidente venezuelano e do PSUV.

No twitter, o jornalista Vladimir Villegas, afirma: “A Venezuela não necesita de uma constituinte mas sim que seja respeitada a constituição de 1999”.

Nicmer Evans, jornalista e membro do partido de esquerda Marea Socialista, acusa esta convocatória de ser “um golpe contra a Constituição promovida por Chávez” e alerta que assim “se suspende todo o Estado de Direito”.

Em artigo publicado no site aporrea.org, Carlos Carcione assinala: “Os nomes e os conteúdos das coisas perderam a correspondência. Isto acontece com a convocatória de Maduro para a Assembleia Constituinte 'Popular'”. “Com esta convocatória do governo abre-se um novo capítulo na luta pelo resgate das conquistas do processo bolivariano pela refundação de uma esquerda verdadeira...”, sublinha ainda Carcione.

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