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Venezuela: Multiplicam-se manifestações e confrontos

Nesta quarta-feira, decorreram diversas marchas na Venezuela promovidas pela oposição da MUD e pelo governo do PSUV. Duas pessoas morreram, dezenas foram feridas e centenas foram detidas. Plataforma em defesa da Constituição alerta para o risco da “espiral de violência”.
Imagem simbólica da crise na Venezuela: Uma mulher põe-se à frente de um tanque
Imagem simbólica da crise na Venezuela: Uma mulher põe-se à frente de um tanque

Manifestações da oposição da MUD e do governo do PSUV

Para esta quarta-feira, 19 de abril, em que se comemorava os 207 anos do início da luta pela independência da Venezuela do domínio espanhol, foram convocadas manifestações pelo governo e pela oposição da MUD (Mesa da Unidade Democrática). A MUD convocou manifestações em diversas cidades e na capital a manifestação teve 26 pontos de partida.

Nas manifestações convocadas pela MUD houve diversos confrontos e repressão por parte da FANB (Força Armada Nacional Bolivariana) e da GNB (Guarda Nacional Bolivariana).

Venezuela: Manifestação da MUD em 19 de abril e barreira da FANB
Venezuela: Manifestação da MUD em 19 de abril e barreira da FANB

Em resultado desses confrontos e ações repressivas registaram-se a morte de duas pessoas: um jovem estudante de 17 anos morreu no centro de Caracas e uma mulher de 23 anos foi ferida a tiro e acabou por morrer em San Cristóbal, capital do estado de Táchira.

Henrique Capriles, dirigente da MUD e governador do estado de Miranda, responsabilizou “os corpos de segurança de Maduro” pelas oito mortes nas últimas três semanas, nos protestos contra o governo.

Capriles declarou ainda “se hoje saímos milhões, amanhã temos que sair muitos mais” e anunciou a realização da “mãe das marchas” para esta quinta-feira, 20 de abril.

Manifestação convocada pelo Governo de Maduro em 19 de abril
Manifestação convocada pelo Governo de Maduro em 19 de abril

Por sua vez, Nicolás Maduro apelou à preparação “para ter uma vitória eleitoral pronta e total”.

“O que a Venezuela necessita é trabalho, produção e a união de todos. Necessita harmonia, convivência, paz, amor, para construir uma nação produtiva que contribua para a suprema felicidade do povo venezuelano”, declarou ainda o Presidente da Venezuela, que apelou ao diálogo nacional e acusou setores da oposição de uma ofensiva golpista contra o país.

Plataforma defende a aplicação da Constituição contra a violência

Em comunicado divulgado a 18 de abril*, a Plataforma Cidadã em Defesa da Constituição perante as manifestações convocadas para 19 de abril alerta para o perigo da “espiral de violência”, salientando que “se sabe quando começa, mas não quando acaba”.

A plataforma, perante as convocatórias das manifestações por parte do governo e da oposição, apela a que ambos os setores políticos, “que somados são uma minoria da população venezuelana”, se manifestem e “regressem todas e todos às suas casas”.

A plataforma diz que o seu comunicado não é um “apelo à moderação e ao bom-senso”, mas uma “definição de responsabilidades”.

Responsabilidade, em primeiro lugar, da maioria da população, que “não é representada pelo governo de Nicolás Maduro nem pela oposição política agrupada na MUD”, a que “recuse que nos empurrem para confrontação violenta entre nós próprios”.

Responsabilidade, em segundo lugar, da oposição agrupada na MUD, para que cumpra a sua palavra de “querer um processo de mudança pacífico, democrático, eleitoral e constitucional, o que não terá lugar no caso de uma guerra civil”.

Responsabilidade "maior", em terceiro lugar, do governo do Presidente Maduro: “representar o Estado e nesse sentido garantir, a todos os cidadãos e cidadãs, o exercício do direito constitucional ao protesto”.

A plataforma alerta que “os que querem uma guerra civil”, “para esconder os milhões desfalcados e/ou impor a dominação perdida”, não tomam as decisões em assembleias abertas nem consultam ninguém, e aponta: “Perante a crise tem que prevalecer a Constituição e não a violência. A violência é um caldeirão sem saída”.

Uma mulher pára um tanque

Numa imagem simbólica, uma mulher de idade avançada com uma bandeira da Venezuela enrolada ao pescoço mete-se à frente de um tanque e impede-o de avançar.

Do tanque lançam-lhe granadas de gás lacrimogéneo, ela procura proteger-se com a bandeira.

O tanque recua, tentando desviar-se da manifestante, ela caminha para a frente do veículo...

Veja o vídeo acima.


* Assinado por Ana Elisa Osorio, Oly Millán Campos, Héctor Navarro, Gustavo Márquez Marín, Esteban Emilio Mosonyi, Clíver Alcalá Cordones, Gonzalo Gómez, Edgardo Lander, Francisco Javier Velasco, Juan García Viloria, Nícmer Evans, César Romero, Freddy Gutiérrez Trejo e Santiago Arconada Rodríguez.

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Comentários

E as centenas de milhares de vidas perdidas anos e anos a fio por via da exploracao desenfreada dos "pais de todos os capriles" antes da Revolucao Bolivariana? E de corrupcao eu mesmo posso testemunhar a oferta que o entao embaixador da Venezuela em Lisboa, no tempo desses "pais de todos os Capriles" me fez para viajar ate Caracas com viagens supostamente previstas para apoio a doentes venezuelanos, ou familiares, no estrangeiro. Basta de cegueira da propaganda made in USA! A luta de classes esta nas ruas da Venezuela: este o unico facto verdadeiramente importante.

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