Trabalhadores da Lusa aderem à greve geral

12 de outubro 2010 - 17:17

Decisão foi tomada em plenário realizado à porta da empresa; jornalistas e outros trabalhadores da agência noticiosa repudiam o corte nos salários que o governo lhes pretender impor.

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Trabalhadores denunciam a redução de poder de compra dos seus salários, ao mesmo tempo que a administração recebia uma avultada distribuição de dividendos este ano.

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Os jornalistas e outros trabalhadores da Agência Lusa decidiram esta terça-feira marcar uma greve para dia 24 de Novembro, coincidindo com a greve geral. A decisão foi tomada em plenário realizado à porta da empresa, e tem como objectivo repudiar o corte nos salários que o governo lhes pretende impor e a política de gestão da empresa, que tem acentuado as desigualdades entre os trabalhadores.

Na resolução aprovada no plenário, os trabalhadores denunciam a redução de poder de compra dos seus salários, ao mesmo tempo que a administração recebia uma avultada distribuição de dividendos este ano. Pedem uma "inflexão na política de gestão financeira da empresa" e uma "gestão de recursos humanos que progressivamente corrija as desigualdades remuneratórias introduzidas na Lusa nos últimos quatro anos".

A seguir, a resolução aprovada, retirada do site do Sindicato dos Jornalistas.

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Os trabalhadores da agência Lusa, reunidos em plenário, aprovaram a seguinte Resolução:

Considerando que:

1 – Entre 2000 e 2010 os aumentos acumulados da tabela salarial da Lusa totalizaram 26,5% e a inflação acumulada atingiu 31,4%, o que se traduziu numa perda real de 3,7% do poder de compra naquele período.

2 – Esta redução de poder de compra dos salários vem a par com a introdução na agência de grandes disparidades remuneratórias a partir de meados de 2006.

3 - A administração, após ter feito uma avultada distribuição de dividendos este ano e apesar de ter orçamentado para 2010 um aumento de 7,7% nos custos salariais, recusou qualquer aumento aos trabalhadores e continuou intransigente face apelo do conciliador do Ministério do Trabalho para um acordo na base de 1% de aumento nominal dos salários.

A única contenção de gastos que é visível na empresa diz respeito aos aumentos salariais.

4 – As recentes medidas anunciadas pelo governo, além de acentuarem a degradação das condições de vida que se vem verificando nos últimos anos com o aumento de impostos e congelamento de salários, representam uma ameaça acrescida para os trabalhadores da Lusa que estão confrontados com cortes nos salários, ao mesmo tempo que vêem reduzidas comparticipações sociais como o abono de família, pensões de reforma, medicamentos e outras.

Os trabalhadores da Lusa reunidos em Plenário no dia 12 de outubro de 2010, reclamam:

1 – Uma inflexão na política de gestão financeira da empresa no sentido de uma gestão mais prudente e equilibrada, que salvaguarde a estabilidade financeira da Lusa.

2- Uma gestão de recursos humanos que progressivamente corrija as desigualdades remuneratórias introduzidas na Lusa nos últimos quatro anos.

3 – O cumprimento rigoroso das regras laborais consagradas no Acordo de Empresa e no Código de Trabalho

E decidem:

Marcar uma greve de para dia 24 de novembro, coincidindo com a greve geral já anunciada, de repúdio pelo anunciado corte nos salários imposto pelo governo e pela política de gestão da empresa que tem acentuado as desigualdades entre os trabalhadores, assim como, outras formas de luta a definir para o mesmo dia.

Sindicato dos Jornalistas e Sindicato dos Gráficos e Imprensa.

Lisboa, 12 de Outubro 2010