Trabalhadores da Brasileira protestam contra a repressão

30 de junho 2010 - 2:18

Trabalhadores e dirigentes sindicais manifestaram-se à porta do café contra “repressões” e “chantagens” por parte da gerência.

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Protesto dos trabalhadores da Brasileira, frente ao café – Foto Mário Cruz/Lusa

Entre as 14.30 e as 17.30h desta Terça feira realizou-se uma concentração de protesto à porta da Brasileira do Chiado. Os trabalhadores, apoiados por dirigentes sindicais, recolheram assinaturas e distribuíram comunicados informando a população.

Segundo a agência Lusa, o presidente do Sindicato dos Trabalhadores da Indústria Hoteleira Turismo e Similares, Rodolfo Caseiro, disse: “Houve 30 trabalhadores que se sindicalizaram em janeiro de 2009 e a partir daí a gerência começou com a retaliação, com as repressões e chantagens. Coisas do tipo: quem é sindicalizado não tem aumentos salariais, quem é sindicalizado tem trocas de horários sem acordo”.

Rodolfo Caseiro acrescentou que, além de "exercer pressão psicológica sobre os seus trabalhadores", a gerência "pratica horários superiores a 40 horas semanais; não paga feriados; não aplica as remunerações mínimas previstas no Código de Trabalho; marca faltas sem que os trabalhadores tenham faltado; não paga subsídio noturno nem alimentação nas férias".

Os trabalhadores que se sindicalizaram são vítimas de assédio moral por parte da gerência. Ana Ferreira, uma dessas trabalhadoras, contou à Lusa: "Colocaram-nos nos piores sítios para trabalhar, como ao balcão, onde não recebemos gorjetas, ficámos com horários repartidos. Eu, por exemplo, entrava sempre às 08:00 e saia às 17:00. Agora entro às 11:00 e saio às 15:00 para voltar a entrar às 18:00 e sair às 21:00. Nestas três horas não dá para fazer nada. Fico sempre cá".

Outra trabalhadora, Salomé Arez, foi despedida depois de trabalhar durante 20 anos no café, por se ter recusado a trocar de horário, quando tinha feito um acordo que fixava o seu turno, quando foi contratada. "O acordo que eu fiz com a empresa, e que foi ao tribunal, dizia que não podiam mexer no meu horário. Que não fazia turno da noite, até porque eu tenho um filho menor... Quando me disseram que eu ia fazer o turno da noite, eu recusei-me. Eles suspenderam-me dois meses e fui despedida, há um mês, com justa causa", contou Salomé Arez à agência.

O presidente do sindicato anunciou que os trabalhadoresvão pedir audiências aos grupos parlamentares, ao provedor de Justiça, ao Procurador Geral da República e ao presidente da Câmara de Lisboa.