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Trabalhadores apelam a manifestação de toda a cidade de Viana

Em plenário, funcionários dos estaleiros navais pedem a intervenção do Presidente da República e renovam o pedido de demissão do ministro da Defesa, Aguiar-Branco. Negócio da subconcessão dos estaleiros à Martifer custará pelo menos 2,18 euros a cada habitantes de Portugal.
António Costa, da Comissão de Trabalhadores dos Estaleiros, fala aos jornalistas: Foto Lusa-Pedro Nunes

Os trabalhadores dos estaleiros navais de Viana do Castelo convocaram uma manifestação para 13 de dezembro e apelaram a que a cidade em peso participe no protesto contra o anunciado despedimento coletivo dos mais de 600 funcionários.

“Esta luta não pode ser perdida, caso contrário o nosso distrito entrará na maior recessão e pobreza. Apelamos ainda a todos os participantes que compareçam e mostrem a sua indignação vestidos com uma peça de roupa preta”, disse António Costa, da comissão de trabalhadores dos Estaleiros Navais de Viana do Castelo (ENVC).

A decisão foi tomada num plenário, nesta sexta-feira, para discutir as consequências do despedimento coletivo e a subconcessão dos estaleiros ao grupo Martifer.

Os trabalhadores apelaram de novo à intervenção do Presidente da República, Cavaco Silva, para travar o encerramento dos estaleiros e renovaram o pedido de demissão do ministro da Defesa, José Pedro Aguiar-Branco.

Negócio ruinoso

Feitas as contas ao negócio que o governo fez com a empresa Martifer, conclui-se que o Estado deverá receber um total de 7,05 milhões de euros em rendas que a Martifer terá de pagar para utilizar os terrenos e o equipamento dos Estaleiros até 2031. Mas, muito antes disso, o Estado terá de pagar até janeiro de 2014 cerca de 30 milhões de euros para despedir os trabalhadores.

O negócio custará, assim, a cada um dos 10.487.289 portugueses, um valor líquido 2,18 euros, correspondente à diferença entre o custo do despedimento e o valor total das rendas a receber. No total, os portugueses vão pagar 22,95 milhões de euros para o Grupo Martifer ter a subconcessão dos ENVC.

Pior ainda, como é o Estado que continua a ser o proprietário dos estaleiros, ainda tem de resolver a situação do ferry Atlântida, que fora encomendado em 2009 pela Atlanticoline e que acabou por ser recusado, Tendo o dono alegado incumprimento de requisitos técnicos. Só para manter o ferry na doca do Alfeite, o Estado tem de gastar 500 mil euros anuais, um valor superior à renda anual que será paga pela Martifer por utilizar as infraestruturas dos ENVC.

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