Além da escritora Margarida Fonseca Santos, que escreveu o texto da peça a partir do livro de José Pedro Castanheira e Valdemar Cruz, os arguidos eram Carlos Fragateiro e José Manuel Castanheira, que na altura pertenciam ao conselho de administração do TNDM.
"A Filha Rebelde" conta a história de Annie Silva Pais, que foi viver para Cuba e aderiu à causa revolucionaria. Mas não esquece a responsabilidade do director da PIDE no homicídio de Humberto Delgado, razão que levou alguns familiares do chefe da PIDE a considerá-la ofensiva da memória de Silva Pais e a exigirem 30 mil euros de indemnização aos três arguidos.
No julgamento, o procurador do Ministério Público não acompanhou a acusação e pediu a absolvição dos arguidos. Estiveram presentes na leitura da sentença Iva Delgado e Frederico Delgado Rosa, a filha e o neto do general Humberto Delgado, que disse aos jornalistas tratar-se de "um dia histórico" que marcou a “reconciliação com a memória” do seu avô.
O desenlace do processo foi recebido com natural satisfação pela escritora da peça. "Se calhar, ainda bem que tudo isto aconteceu”, disse Margarida Fonseca Santos à saída do tribunal, explicando que esta foi “uma forma de falar aos mais novos “de uma época em que não havia liberdade”, de “mobilizar as pessoas” e de “trazer a história do país para o teatro”.
A leitura da sentença contou ainda com a presença de muitos antifascistas, como Alípio de Freitas, e membros da Associação 25 de Abril, como Vasco Lourenço. No fim houve aplausos, gritou-se "abaixo a PIDE" e distribuíram-se cravos vermelhos.
Todos absolvidos no processo "A Filha Rebelde"
23 de julho 2011 - 10:53
"A crítica pública deve ser um direito e não um risco", diz a sentença que absolveu os três acusados de difamarem o ex-director da PIDE Silva Pais com a peça de teatro "A Filha Rebelde", estreada no D. Maria II em 2007.
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Ao contrário do tempo em que Silva Pais promovia a tortura e o assassínio de democratas, o tribunal diz que "a crítica pública deve ser um direito e não um risco".