Temos de acabar com a austeridade, antes que ela acabe com o país”

03 de abril 2013 - 19:09

João Semedo, coordenador do Bloco de Esquerda, apoiou a moção de censura contra um Governo que arrasou o país e empobreceu o povo, como nunca tinha acontecido na história da Democracia portuguesa e frisou que a maioria de direita “ já não consegue renovar a confiança no seu Governo”.

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Semedo frisou que a maioria de direita “ já não consegue renovar a confiança no seu Governo”

João Semedo, na intervenção do Bloco de Esquerda no debate da moção de censura apresentada pelo PS, salientou que o Governo “não conseguiu orgulhar-se de um só resultado positivo desta governação de quase dois anos”.

O deputado começou por afirmar que o debate “revelou um paradoxo” - “a direita consegue derrotar a moção de censura, mas já não consegue renovar a confiança no seu Governo” - frisando que este paradoxo: “anuncia o fim do Governo”, esgotado e sem soluções, “um Governo no fim de linha”.

O coordenador do Bloco denunciou que a “austeridade brutal arrasou o país e empobreceu os portugueses”, sublinhando que “a dívida cresceu mais 17 mil milhões de euros do que o memorando previa para este ano”.

João Semedo lembrou que o Governo fez do memorando o seu “programa” e “condenou assim o país a uma espiral recessiva, para a qual não tem qualquer solução”. Frisou também que “estas foram as escolhas de Passos Coelho e de Paulo Portas, não foram imposições de ninguém e muito menos do Tribunal Constitucional”.

O coordenador do Bloco debruçou-se também sobre as soluções, afirmando que para sair da crise se exige “a urgente renegociação desta dívida para que o país possa recuperar os recursos financeiros necessários ao investimento público na economia, no emprego e nas políticas sociais”, sendo necessário acabar com a austeridade “que não deixa de nos empurrar para um poço sem fundo”.

Salientando que é preciso “um Governo de confiança dos cidadãos e não um Governo da confiança da senhora Merkel”, Semedo defendeu que é inevitável a demissão do Governo e a realização eleições, considerando que “não há renovação, mesmo que mediaticamente assistida, que salve o Governo”.

A terminar, o deputado do Bloco referiu que “não basta romper com o Governo”, sendo necessário “recusar as políticas de austeridade e do memorando para levantar a economia, multiplicar o emprego, recuperar salários e pensões, tirar o país da crise, restabelecer a soberania na condução política de Portugal”. João Semedo declarou ainda que “da esquerda, de toda a esquerda”, o país “espera a responsabilidade de construirmos uma alternativa para o presente e para o futuro”.