João Semedo, na intervenção do Bloco de Esquerda no debate da moção de censura apresentada pelo PS, salientou que o Governo “não conseguiu orgulhar-se de um só resultado positivo desta governação de quase dois anos”.
O deputado começou por afirmar que o debate “revelou um paradoxo” - “a direita consegue derrotar a moção de censura, mas já não consegue renovar a confiança no seu Governo” - frisando que este paradoxo: “anuncia o fim do Governo”, esgotado e sem soluções, “um Governo no fim de linha”.
O coordenador do Bloco denunciou que a “austeridade brutal arrasou o país e empobreceu os portugueses”, sublinhando que “a dívida cresceu mais 17 mil milhões de euros do que o memorando previa para este ano”.
João Semedo lembrou que o Governo fez do memorando o seu “programa” e “condenou assim o país a uma espiral recessiva, para a qual não tem qualquer solução”. Frisou também que “estas foram as escolhas de Passos Coelho e de Paulo Portas, não foram imposições de ninguém e muito menos do Tribunal Constitucional”.
O coordenador do Bloco debruçou-se também sobre as soluções, afirmando que para sair da crise se exige “a urgente renegociação desta dívida para que o país possa recuperar os recursos financeiros necessários ao investimento público na economia, no emprego e nas políticas sociais”, sendo necessário acabar com a austeridade “que não deixa de nos empurrar para um poço sem fundo”.
Salientando que é preciso “um Governo de confiança dos cidadãos e não um Governo da confiança da senhora Merkel”, Semedo defendeu que é inevitável a demissão do Governo e a realização eleições, considerando que “não há renovação, mesmo que mediaticamente assistida, que salve o Governo”.
A terminar, o deputado do Bloco referiu que “não basta romper com o Governo”, sendo necessário “recusar as políticas de austeridade e do memorando para levantar a economia, multiplicar o emprego, recuperar salários e pensões, tirar o país da crise, restabelecer a soberania na condução política de Portugal”. João Semedo declarou ainda que “da esquerda, de toda a esquerda”, o país “espera a responsabilidade de construirmos uma alternativa para o presente e para o futuro”.