Sérgio Monte, que é também vice-presidente da UGT, falou aos jornalistas no final de uma reunião com o coordenador do Bloco de Esquerda, Francisco Louçã. O secretário-geral do SITRA denunciou que os trabalhadores rodoviários estão a ser pressionados pelas empresas para não aderirem à greve geral de dia 22. "Inclusivamente com ameaças, já não tão veladas como isso”, disse.
Os cortes no pagamento de horas extraordinárias afetam particularmente os motoristas, explicou Sérgio Monte. "Passar este pagamento para metade do seu valor vai provocar cortes salariais muito superiores a duzentos e trezentos euros, vai provocar ruturas em muitas famílias”, explicou, acrescentando que por este motivo, “nós não podíamos ter outra posição que não fosse votar contra este acordo [de concertação]."
"O salário é baixo, estamos a falar de um setor com salários baixíssimos, o salário de um motorista hoje é à volta de seiscentos euros, portanto, os mil e tal euros que levam para casa ao fim do mês resultam de uma remuneração variável que são as horas suplementares", salientou.
O secretário-geral do SITRA disse que está a trabalhar para obter uma forte adesão à greve. Questionado pelo facto de a UGT não aderir à greve, e o SITRA ser da UGT, Sérgio Monte disse que "no sindicalismo democrático há o direito de discordar", e acrescentou: “Eu sou secretário-geral do SITRA e, portanto, os interesses que defendo são dos trabalhadores associados do SITRA, acho que esta posição é a correta, é com eles a minha principal responsabilidade".
Por seu lado, Francisco Louçã considerou que a greve geral é também um protesto contra a ideia de "trabalhar para perder salário, para ficar mais pobre" quando há "umas rendas gigantescas que são garantidas a empresas sem concorrência, sem esforço, sem imaginação, sem invenção, sem inovação, sem fazerem nada sem ser estarem sentadas em cima do seu poder"